quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

LIBER 777 - O SANCTUM CELESTIAL


Esse é um dos exercícios mais importantes que aprendemos no início da senda Rosacruz – AMORC (Renato Cardoso)

INTRODUÇÃO
 Todos os seres humanos buscam a felicidade, porém, muitos não sabem como encontrá-la. Isto se deve a que a maioria imagina que ela reside no bem-estar material. Por outro lado, há uma minoria convencida de que uma vida exclusivamente orientada para a espiritualidade a torna possível. Na verdade, nem uma nem outra dessas duas maneiras de entender a vida é ideal, pois a felicidade depende de um estado de equilíbrio perfeito entre nossos desejos materiais e nossas aspiracões espirituais. Ora, o melhor caminho que pode conduzir a esse estado é o do misticismo, que, por definição, consiste no estudo e na aplicação do elo harmônico que une o homem ao Deus que ele é capaz de sentir e compreender. Para o ser humano encarnado, o único modo de viver plenamente essa união é manter-se em harmonia consigo mesmo, com os outros e com o seu ambiente natural.

 A HARMONIA CONSIGO MESMO
 A harmonia que devemos manter relativamente a nós mesmos diz respeito ao nosso corpo, à nossa razão e a nossas emoções. É evidente que, se violamos continuamente as leis naturais que operam em nosso corpo, não podemos manter uma boa saúde. Devemos então nos esforçar sempre para tratar nosso organismo físico com o maior respeito e não comprometermos por negligência a harmonia que Ihe é devida. Uma alimentação mal equilibrada ou excessiva, falta de repouso, insuficiência de exercício, são alguns fatores físicos que perturbam o equilíbrio do nosso corpo. O mesmo princípio se aplica à nossa razão. O fato de que vivemos neste plano terreno nos obriga a recorrer a faculdades objetivas e subjetivas. A razão é uma das mais importantes dentre elas, porque é a partir dos nossos julgamentos que dirigimos nossa vida cotidiana. Quanto mais nos dedicamos a reflexões sadias e úteis, mais fazemos dela o que ela deve ser. isto é, um instrumento destinado a expressar o melhor de n6s mesmos. Se a submetemos à influência de coisas fúteis e impuras, cortamos o laço harmônico que deve uni-la aos impulsos de nossa alma. Devemos então refletir sempre sobre assuntos dignos de consideração para um místico. Ler obras interessantes, assistir a filmes educativos, meditar sobre os grandes problemas da vida, são as atividades típicas que permitem que mantenhamos harmonia em nossa mente. Quanto ao campo das emoções, o leitor sabe que sentimentos baseados na cólera, no orgulho, no ciúme, na maldade, etc., prejudicam consideravelmente nosso bem-estar emocional e, por conseguinte, nosso equilíbrio físico. Fora dos extremos que vimos de mencionar, sentimentos de medo, ansiedade, inquietação, são igualmente prejudiciais para a harmonia geral que deve prevalecer em todos os níveis do nosso ser. Cada indivíduo deve portanto fazer todo o possível para vibrar ao ritmo de emoções puras e construtivas; é impossível viver em paz profunda enquanto se permanece prisioneiro de reações emocionais discordantes.
  
A HARMONIA COM OS OUTROS
 Já citamos a harmonia que devamos manter entre n6s mesmos e os outros. É impossível evoluirmos e mesmo vivermos sem estabelecermos contatos freqüentes com nossos semelhantes. O homem, como ser encarnado, não é uma individualidade tão autônoma como pensa que é. A vida comunitária Ihe é necessária, pois nenhum ser humano, por independente que seja, pode viver feliz e desabrochar sem satisfazer sua necessidade inata de comunicação. Foi o instinto gregário que impeliu o homem a viver em sociedade e fazer dessa sociedade a garantia de seu bem-estar familiar. Como todos precisamos dos outros, devemos evitar manter para com eles associações baseadas em relações de força e domínio. Isso significa que devemos fazer tudo para preservar a harmonia em nossa família e viver em bom entendimento com todas as pessoas com quem devemos conviver, seja no plano familiar ou profissional, ou no quadro mais geral da coletividade humana. Com efeito, que pode ser mais doloroso, no plano interior, do que viver permanentemente num ambiente conflituoso? Toda situação de discórdia entre n6s mesmos e os outros deve ser evitada, porque contém o germe de todas as guerras que assolam o mundo. A harmonia deve ser a regra de ouro da vida familiar e social. Isso não implica que todos os indivíduos devam pensar, falar e se comportar da mesma maneira, visto que a uniformidade é inimiga da evolução. Significa simplesmente que devemos conviver em respeito mútuo, com o desejo de colocar nossas diferenças de opinião e comportamento a serviço do bem-estar dos outros.

A HARMONIA COM A NATUREZA
Examinemos agora a harmonia que precisamos manter entre nós mesmos e nosso ambiente natural. Este ponto não deveria requerer nenhum comentário, já que é evidente. Infelizmente, porém, basta olharmos à nossa volta para constatarmos a que ponto o homem, por preguiça, negligência ou interesse, não hesita em perturbar o equilíbrio ecológico do seu próprio meio ambiente. A natureza tem no entanto seus direitos e o homem, por sua vez, só tem deveres. Enquanto ele não compreender esta lei, continuará a destruir e comprometer seu ambiente, até o dia em que sofra individual e coletivamente as conseqüências de seus atos, se é que isto já não está acontecendo. É por isso que cada ser humano deve tomar consciência de que não podemos perturbar impunemente a ordem natural a que todos devemos a vida. Essa ordem natural prevalecia bem antes que o homem aparecesse na Terra e não há dúvida de que ela prevalecerá quando ele desaparecer, a menos que, evidentemente, nosso planeta seja destruído num apocalipse definitivo. O misticismo, também nisso, é o caminho que deve permitir ao homem reconciliar-se com a natureza. Sem essa reconciliação, a humanidade está condenada á autodestruição, pois, tenhamos consciência disso ou não, toda investida contra seu ambiente natural priva-a de uma parte de si mesma.

Para resumir o essencial desta introdução, afirmamos que a felicidade está na medida da harmonia que o homem é capaz de manifestar relativamente a si mesmo, aos outros e ao seu ambiente. Quanto mais ele tem consciência do que essa harmonia representa para o seu bem-estar pessoal, mais sente o desejo e a necessidade de a manter à sua volta e no seu meio ambiente natural. Ora, a experiência demonstra que todo indivíduo que toma consciência disso compreende que não existem vários tipos de harmonia e, sim, uma só Harmonia Cósmica, manifestando-se em diferentes planos e em diversos campos.

DEFINIÇÃO DO SANCTUM CELESTIAL
Um dos objetivos da filosofia rosacruz consiste em dar a cada ser humano os meios de viver a Harmonia Cósmica nos planos físico, mental, emocional e espiritual. Os ensinamentos místicos que os rosacruzes recebem ao longo de sua afiliação contribuem muito para isso. Mas, para possibilitar uma harmonização total com as forças universais mais positivas, a Antiga e Mística Ordem da Rosa-Cruz, dada sua natureza tradicional e iniciática, integra em sua Egrégora * um campo de energia cósmica de que se podem beneficiar todos aqueles que conhecem o meio de estabelecer contato com esse campo. Justamente esse campo de energia, que não está limitado no tempo nem no espaço, é o que a tradição rosacruz denomina Sanctum Celestial.

Para os rosacruzes, o Sanctum Celestial é o mais elevado plano de consciência que eles podem alcançar harmonizando-se interiormente com o Cósmico. No plano vibratório, esse nível de consciência é a expressão virtual daquilo que a Rosa-Cruz, como ideal filosófico e místico, coloca de mais puro a serviço do homem. É por isso que dizemos que o Sanctum Celestial é o campo da purificação, da regeneração, da revelação e da iluminação. E assim é porque todo contato com ele coloca a alma humana em ressonância com a Grande Alma Universal e com todo o potencial de força e sabedoria que ela contém. Para os Membros da AMORC, ele constitui verdadeiramente uma pirâmide de ideais e virtudes, e é no ápice simbólico dessa pirâmide que se situam os Mestres Cósmicos que velam pela tradição rosacruz. Esta é a razão pela qual a maior parte das experiências místicas que os rosacruzes são levados a fazer ao longo de seus estudos privados situam-se no nível do Sanctum Celestial.

* - EGRÉGORA ROSACRUZ - União ou assembléia de personalidades rosacruzes terrestres (Membros ativos e regulares da Ordem) e supraterrestres (Conclave dos Mestres Cósmicos principalmente os encarregados da Senda Rosacruz) constituindo uma unidade hierarquizada e movida pelo ideal rosacruz. Trata-se portanto de um setor particular do campo ou plano psíquico formado pela união das mentes daquelas personalidades em torno do ideal e da missão rosacruz.

2 comentários:

Paulo César de Oliveira F.R.C. disse...

Excelente.
Paz Profunda!

Renato Cardoso disse...

Muito obrigado Paulo César, Paz Profunda

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