quarta-feira, 21 de junho de 2017

A CADEIA DE UNIÃO


Por Renato Cardoso

A “cadeia de união” é uma tradição que se encontra ao mesmo tempo no meio místico e maçônico. Ela consiste em formar uma cadeia, dando-se mutuamente as mãos. Ela também aproxima afetivamente todos os corações, ao mesmo tempo em que reanima nas consciências o sentimento de solidariedade que nos une e a interdependência que nos liga.
Nos nossos trabalho de cura, não há dúvida de que quem participa conscientemente, da cadeia ritual, sente seus efeitos reconfortantes.
Ela parece preparar de modo eficaz um ambiente propício para fazer do encerramento dos trabalhos algo mais do que uma simples formalidade.
Marius Lepage uma maçom que viveu na França no inicio do século passado, expôs de forma impecável os princípios essências que fazem da cadeia de união algo mais do que um simples gesto sem importância. Diz ele:
“Os ritos entre outras funções essenciais, unem o visível ao invisível. Eles constituem um elo fluídico que une o corpo maçônico, constituído pelo espírito maçônico ou místico que se desprende dos Templos materiais.
“O princípio da cadeia de união deve ser provavelmente procurado na teoria do ponto ou sinal de apoio”. Toda vontade que quer se manifestar, tem necessidade de um intermediário, que seja, ao mesmo tempo, uma sólida base de partida.”
O segredo da Cadeia Mágica de União, escreve Stanislas de Guaita, resume-se num aforismo cujos termos são os seguintes: Criar um ponto fixo onde se possa tomar apoio; estabelecer aí um cadeia psicodinâmica; e, desse ponto, escolhido como centro, fazer brilhar através do mundo a luz astral, fortalecida por uma vontade nitidamente definida e formulada.
Ao mesmo tempo criadora e receptiva, a cadeia de união representa junto ao estudante martinista o duplo papel de escudo protetor e de aparelho receptor de influências benéficas.
Toda coletividade, toda associação tem o seu correspondente nos mundos invisíveis. O espírito de um grupo como o nosso é um ser vivo muito poderoso.
A cadeia de união é um símbolo formado por múltiplos anéis interligados entre si, sem princípio nem fim, que evidencia a união perfeita daqueles que aceitam unir-se por laços fraternos. Assim é uma cadeia de união, uma interligação entre pessoas que formam um corrente dentro do Templo, entrelaçando-se braços, unindo-se corpos e mentes numa demonstração e confirmação de bons propósitos teóricos e práticos.
A Cadeia de união que formamos dentro de um Templo simboliza a união fraterna em prol de um bem maior que é  o reestabelecimento da saúde dos peticionários.
Nos reportando ao passado, concluiremos que no princípio, na origem da Cadeia de União, ela estava presente na vida do homem primitivo, que sentado em forma de círculo aproveitava o calor da fogueira, organizava sua vida social próximo a outros especialmente a noite, obtendo dos mais velhos, o conselho certo e a troca de experiências de vida daqueles que detinham autoridade.
Em relação aos Astros, podemos verificar que eles se movimentam em círculos e em cadeias. O Sistema Solar, a rotação dos planetas, e a própria Terra, obedecem  Leis Simples e claras movimentando-se em círculos movimentando energias e harmonizando tudo em torno no interior de si.
Para Eliphas Levi, a Cadeia de União é o grande agente magnético que denominamos Luz Astral e que outros chamam de Alma da Terra, ele, o agente é a chave de todos os mistérios, os segredos de todos os poderes. E quem souber se apoderar desse agente, será depositário do próprio poder de Deus porque todo o poder oculto está aí.
O domínio desse agente se da por duas formas sequenciadas, concentração e projeção. Isso me faz lembrar mais uma vez dos nossos rituais de cura, onde sentados em círculo ou em pé com as mãos entrelaçadas concentramos nossas energias para em seguida emana-la aos peticionários.

Fazer uma cadeia de união mágica é estabelecer uma cadeia magnética que se torna mais forte dependendo das nossas intenções. Por isso devemos realizar os nossos rituais de cura com o máximo de concentração nos nossos objetivos, que no caso são os nomes da lista mensal. É sabido que práticas firmes produzem uma corrente magnética poderosa. Uma cadeia bem formada é como um turbilhão que arrasta e absorve tudo.

terça-feira, 20 de junho de 2017

BREVE BIOGRAFIA JEAN BAPTISTE WILLERMOZ


Jean Baptiste Willermoz, nasceu em Lyon em 10/07/1730, era filho de Claude e Caterin Willermoz, comerciante da cidade. Devido às necessidades da família foi obrigado a deixar os estudos aos 12 anos de idade para ajudar seu pai nos negócios, três anos mais tarde ingressou como aprendiz numa loja especializada no comércio de sedas.
Tendo aprendido a profissão, instalou-se, aos 24 anos, por conta própria produzindo o comercializando sedas. Havia sido iniciado na Maçonaria aos 20 anos de idade, dois anos depois já era Venerável da Loja, no ano seguinte, 1753, fundou sua própria Loja Maçônica, A PERFEITA AMIZADE, a qual teve um rápido desenvolvimento realizando estudos ocultistas, principalmente a alquimia.
Willermoz permaneceu Venerável dessa Loja durante 8 anos, dedicava parte de seus recursos às obras de caridade junto à comunidade, para o profano, era tido como um homem sério, honesto, enriquecido pelo trabalho com o comércio de sedas, cristão e freqüentador da Igreja; pelos seus discípulos era admirado pela sua cordialidade e pela grande dedicação aos trabalhos maçônicos.
Na própria família, outros membros se interessaram pelo ocultismo: sua irmã mais velha, Claudine (Madame Provensal), seus irmãos Antoine e Pierre-Jaques, seu sobrinho Jean Baptiste Willermoz Neveu.
No meio ocultista era admirado pela solidez de seus conhecimentos que eram praticados juntamente com um pequeno grupo de esoteristas, escolhidos criteriosamente no seio da Maçonaria.
Durante sua longa existência, Willermoz manteve correspondência com os principais ocultistas de sua época: Martinez de Pasqually, Saint Martin, Joseph de Maistre, Savalette de Lange, Brunswick, Saint Germain, Cagliostro, Dom Pernety, Salzman e outros ocultistas alemães, franceses, ingleses, italianos, dinamarqueses, suecos e russos.
Em 21 de novembro de 1756, sua Loja filiou-se à Grande Loja da França, com a evolução dos trabalhos, Willermoz fundou uma Obediência, composta por 3 Lojas, tornou-se o primeiro Grão Mestre da Grande Loja dos Mestres Regulares de Lyon. Em 1760 as 3 Lojas contavam com 62 membros: A PERFEITA AMIZADE: 30 membros, A AMIZADE: 20 mem-bros, OS VERDADEIROS AMIGOS: 12 membros. Foi eleito presidente da GRANDE LOJA DOS MESTRES REGULARES de Lyon, em Maio de 1760.
Willermoz elegeu-se Grão Mestre da Grande Loja de Lyon em 1761 e 1762 mas não aceitou a renovação de seu mandato em 1763 para que pudesse dedicar-se mais à parte oculta. Em 1763 fundou juntamente com seu irmão Pierre-Jacques, o Capítulo dos Cavaleiros da Águia Negra, nele, entraram os irmãos mais instruídos das Lojas de Lyon. As reuniões eram secretas para evitar a curiosidade dos demais irmãos, a admissão de novos membros foi fechada, estudavam particularmente o simbolismo e a importância dos diversos níveis e os catecismos dos diferentes graus e sistemas maçônicos.

Willermoz e seus companheiros não aprovavam os graus de vingança contidos em muitos sistemas maçônicos, com relação aos exterminadores da Ordem do Templo
Os membros do Soberano Capítulo da Águia Negra, estariam ligados aos Iluminados de Avignon, dirigidos por Dom Pernety, este, tinha contato com a Estrita Observância Templária, na Alemanha e provavelmente também com Dom Martinez de Pasqually e por seu intermédio, possivelmente, foi que Willermoz conheceu Pasqually e que se tornou Delegado Geral da EOT para a região de Lyon.
Com a aprovação da grande loja da França, os maçons de Lyon desenvolveram seus trabalhos sob o comando de sua própria Grande Loja, Willermoz deixou o Grão-Mestrado em 1763, tornando-se simples Guarda-selos e Arquivista, nunca deixou de exercer alguma função na Maçonaria.
Willermoz acreditava, desde a sua primeira admissão na Maçonaria, que Ela detinha o conhecimento de um objetivo possível e capaz de satisfazer o homem honesto. Trabalhando e estudando por mais de vinte anos, troca de correspondências intensas com os Irmãos mais instruídos da França e do exterior e os arquivos da Ordem em Lyon, forneceram-lhe os meios para encontrar os inúmeros sistemas, alguns mais singulares que os outros.
Willermoz era em primeiro lugar, um discípulo esforçado e dedicado aos estudos, em segundo, foi um grande organizador de sistemas iniciáticos, grande pesquisador, ativo e prático; pela relação com Dom Pernety, deu uma identidade alquímica ao seu sistema maçônico cujo objetivo era alcançar a iluminação e realizar a Grande Obra.
Em uma viagem à Paris, em maio de 1767, encontrou Bacon de la Chevalerie, substituto da Ordem dos Elus-Cohens do Universo, no Grão Mestrado, foi nessa oportunidade que constatou pela primeira vez com a doutrina de Martinez de Pasqually. Tinha 37 anos de idade quando foi iniciado por Pasqually na Ordem dos Elus Cohens, em cerimônia realizada em Versailles, proximidades de Paris.
Bacon colocou Willermoz em contato também com outros irmãos, juntamente com seu irmão Pierre Jacques, entraram na nova Sociedade, cujo chefe era Pasqually, um dos sete chefes soberanos universais da Ordem, como ele próprio se apresentava. Iniciado há 18 anos na Maçonaria e possuidor de todos os seus graus, compreendeu que até aquele momento nada sabia da Maçonaria essencial e que havia um vasto campo de conhecimentos a percorrer.
Pasqually concedeu-lhe o direito de estabelecer uma Grande Loja do novo rito em Lyon e deu-lhe o título de Inspetor Geral do Oriente em Lyon e fez com que entrasse como membro não residente do Tribunal Soberano de Paris. Em 13 de março de 1768, Bacon de la Chevalerie ordena Willermoz no Grau Rosa Cruz.
Desde 1768 Willermoz mantinha correspondência com Saint Martin, na época secretário de Pasqually, formou-se entre ambos uma forte amizade, estavam em início de carreira iniciática e ainda bastante imaturos na Iniciação Real.
Através de Saint Martin, Willermoz em julho de 1770, Pasqually falou-lhe de seus mestres, sendo ele próprio apenas um intérprete, possuidor do terceiro grau de uma Ordem originária dos Lendários Rosa Cruzes.
A idéia de Willermoz de adaptar o sistema da Ordem dos Elus Cohens do Universo, de Pasqually, dentro da Maçonaria, não era tarefa fácil. O sistema maçônico representa a Iniciação Primitiva e é tão antigo como a própria raça humana. Sua ritualística está inserida dentro de um contexto histórico, simbólico e iniciático.
Willermoz procurava obter por carta, maiores esclarecimentos acerca dos problemas que iam surgindo no transcorrer de sua jornada iniciática. Os resultados positivos da iniciação não apareciam tão rapidamente como os discípulos desejavam, era necessário muito trabalho como em qualquer sistema de iniciação, para que surgisse alguma manifestação de aprimoramento espiritual.
Difícil era encontrar adeptos capazes de professar uma Maçonaria espiritualista, havia homens dispostos a praticar a Maçonaria Ocultista tanto em Lyon, como em Metz, em Estrasburgo, em Paris, em Versailles; Willermoz mantinha contato com todos esses grupos de maçons.
Os contatos com os grupos de maçons da Alemanha foram intensos a partir de 1772. Através do Venerável da Loja A Virtude, de Metz: Meunier de Précourt, Willermoz ficou sabendo da sobrevivência da Ordem do Templo na Alemanha através dos Cavaleiros Teutônicos que era a herança externa e dos Rosa-Cruzes, o legado interno.
Em 1772, Willermoz recebeu uma carta da Loja La Candeur, de Estrasburgo, confirmando existir na Alemanha, uma Obediência Maçônica rica pelo número e pela qualidade de seus membros, fundada por Superiores Incógnitos e denominada Estrita Observância Templária. Seu Grão Mestre era o Barão de Hund e o objetivo: a prática das virtudes cristãs e o desenvolvimento moral e espiritual de seus membros.
Tratava-se de uma Maçonaria Templária e Ocultista, seus membros estudavam a Cabala, a Alquimia e o Ocultismo em geral, Willermoz foi conquistado ao tomar conhecimento dos objetivos altruísticos e da seriedade dos seus trabalhos.
Em junho de 1772, a EOT tornou-se Lojas Reunidas Escocesas e o Barão de Hund foi substituído pelo Duque Ferdinand de Brunswick.
Em dezembro de 1772, Rodolphe de Salzmann, Mestre dos Noviços do Diretório de Estrasburgo, chega a Lyon para fazer a iniciação de Willermoz e de seus companheiros na Sociedade dos Filósofos Desconhecidos, como Willermoz e Salzmann, ele também era um grande admirador do sistema maçônico.
Paralelamente, Willermoz e Saint Martin, que em setembro de 1772 havia se instalado em Lyon, na casa de Willermoz, trabalhavam juntos para o aperfeiçoamento do sistema maçônico com base na doutrina e no sistema oriundo da Ordem dos Elus Cohens e dos demais sistemas existentes que conheciam. Willermoz pretendia através da Maçonaria, a adaptação dos ensinamentos secretos recebidos de Pasqually.
Saint Martin permaneceu um ano em Lyon, seguiu depois para sua cidade natal e depois para Paris.
Em carta de dezembro 1772, Willermoz pedia a sua filiação na EOT, o Barão Weiler respondeu-lhe poucos meses depois, que nada aceitariam que fosse contrário à sua religião de nascimento e a seus deveres de cidadãos como fiéis súditos do Rei da França. Conservaram também a ligação com a Grande Loja da França no que dizia respeito aos graus simbólicos; a ligação com a Grande Loja da Alemanha foi estabelecida somente em relação aos altos graus.
Em 1773, o Barão Weiler foi a Lyon e iniciou Willermoz e seus companheiros na EOT, deixou instalada a Loja Escocesa Retificada: La Bienfaisance, em condições de desenvolver independentemente seus trabalhos, isso aconteceu em novembro1773.
Face à decadência da parte externa da Ordem dos Elus Cohens, ocorrida a partir do ano de 1772, com a partida de Pasqually para São Domingos, Willermoz encontrou no sistema maçônico um substituto à altura. Nesse novo sistema, pretendia espargir as luzes recebidas na senda interior dos Elus Cohens e receber também a manifestação do Agente Invisível; Willermoz retirou, a partir dessa época, os melhores ensinamentos de suas operações e a luz começava a brilhar no seio das trevas.
Como a Ordem dos Elus Cohens, a EOT possuía dez graus, sendo: três simbólicos, três intermediários e quatro superiores, esta última classe, de origem templária.
Willermoz obteve a corrente de Jacob Boheme ao ser iniciado por Salzmann e confirmada na linha mais antiga dos Templários, ao associar-se com a EOT.
Willermoz recebeu o grau de Grande Professo no Convento de Gaules, realizado em Lyon entre 25 de novembro a 10 de dezembro 1778, também conseguiu com Salzmann, que se introduzisse após o sexto grau da EOT, os dois graus denominados: Professo e Grande Professo que continham a doutrina da Ordem dos Elus Cohens.
A EOT da região de Auvergne (Lyon) ficou conhecida pelo nome de Cavaleiros Benfeitores da Cidade Santa ou Maçonaria Retificada. Os graus simbólicos ficaram sendo quatro: Aprendiz, Companheiro, Mestre e Mestre Escocês; a classe superior ficou denominada: Cavaleiro Professo e Grande Professo.
Willermoz, tendo conseguido introduzir no sistema maçônico de Lyon, da EOT, a filiação espiritual e doutrinária de Pasqually, tentou fazer o mesmo nas outras obediências maçônicas.
No seu conceito, o RER tinha por objetivo o estudo das ciências ocultas, pretendia unir o ocultismo com o cristianismo, estudar o esoterismo do cristianismo, considerar a Cristo, o Reparador; crê em Cristo porém renega a autoridade do Vaticano, de Catolicismo de Roma.
No RER seus princípios aparecem como cristãos, fundamentados nos evangelhos. O Willermosismo tendeu sempre para o agrupamento das fraternidades iniciáticas, à constituição de coletividades de iniciados dirigidas por centros ativos religados ao iluminismo.
No convento de Wilhemsbad, em 1782, Willermoz encontrou o apoio precioso dos dois príncipes dignatários da EOT: os irmãos: Ferdinand de Brunswick, que presidiu o Convento, e Charles de Hesse, recebeu a missão de organizar o RER e foi designado Soberano Delegado Geral do Movimento para a região de Lyon.
Conseguiu também que todos os irmãos da Ordem Interior recebessem o título de Cavaleiro Benfeitor da Cidade Santa. E no novo conjunto de graus, no número de sete, continha todo o sistema doutrinário de Pasqually, organizado inteiramente em Lyon através de: Willermoz, Saint Martin, Grainville, Savaron e outros e que a partir do Convento de Wilhemsbad passou a ser adotado igualmente em toda a Alemanha e resto da França. O título "Cavaleiro Benfeitor da Cidade Santa" originou-se do nome da Loja "La Bienfaisance", de Lyon, que abrigou os primeiros cavaleiros.
Com auxílio do Invisível, Willermoz e Saint Martin adquiriram um lugar de destaque na organização da Maçonaria Retificada e da Ordem Interior; iniciaram adeptos de toda a França e Alemanha, porém sabiam que o sucesso não seria fácil, Saint Martin disse à Willermoz: "o espírito é como o vento, ele sopra quando quer e como quer e ninguém sabe quem ele é e de onde vem...".
Foi também no seio desta Loja que foram recrutados os membros do Conselho dos Onze que fundaram a Loja Elue et Cherie pela ação do Agente Incógnito, o mensageiro divino esperado desde o tempo de Pasqually.
Willermoz falava sobre a iniciação: Aquele que me a transmitiu não é um ser inspirado interiormente, nem um magnetizador privilegiado, nem um ser versado nas iniciações antigas, que conhece muito menos que nós.
É um ser que goza de todos os sentidos ao escrever, que escreve quando lhe fazem pegar na pena, sem saber nada do que escreverá, nem a quem escreverá. Uma potência invisível, que não se manifesta a ele senão por diversas partes de seu corpo, toma a mão como se toma a mão de uma criança de três anos, para lhe fazer escrever o que se deseja. Ele não pode conduzir a ação, mas pode resisti-la por ato de sua vontade, que então pára de escrever; ele lê então o que sua mão escreveu e é o primeiro admirador do que vê, muitas vezes nada compreende de que escreveu, foi prevenido, desde o tempo que esse dom extraordinário começou a se manifestar nele, que escreveria coisas que não deveria compreender porque não foram escritas para si, mas para aqueles a quem elas se destinavam.
O próprio Agente tinha seus superiores, "as potências celestes superiores ou secundárias" que dirigiam seus trabalhos e faziam-no escrever. Eram depósitos de conhecimentos admiráveis, uma doutrina da verdade.
A Doutrina da Verdade ensinava que Phaleg deveria ser reverenciado como fundador da Maçonaria, no lugar de Tulbacain. Phaleg teria reagrupado pela primeira vez homens em Lojas. Esta palavra Loja, ensinou o Agente, teria se originado da palavra primitiva Logos ou Verbo. O Agente trouxe um reconhecimento divino às Lojas. Lyon tornou-se o depósito e centro dessa bem-aventurada Luz, que a partir desse local, propagou-se por toda a Província, pela França e outros países.
Vários Homens de Desejo foram chamados em presença dos Martinistas de Lyon e se submeteram às formalidades de Iniciação na nova Ordem.
Saint Martin ajudou Willermoz a colocar em ordem os Cadernos de Instrução dos irmãos. Entre 1785 e 1787, foram iniciados várias pessoas, oriundas de inúmeras localidades, a organização dos círculos de Iniciados em Lyon, recebia a inspiração do Agente, o Superior Incógnito.
Desde a revelação, no dia 5 de abril de 1785, Willermoz, com 54 anos de idade, não cessou de trabalhar, inspirado pelo Agente, procurava suscitar nos corações de seus Iniciados, não apenas o conhecimento das coisas transcendentais, mas a convicção de que entravam em uma Loja onde a Luz estava presente e cuja aliança com a Divindade fazia irradiar dessa Loja a Luz dos últimos tempos sobre todas as nações, e que os Maçons Retificados de Lyon formavam os elementos do novo templo escolhido.
Em 1793, quando eclodiu a Revolução Francesa, o terror tomou conta da cidade de Lyon, Virieu desapareceu, Grainville e o veterano Guilaume de Savaron (irmão de Gaspar de Savaron), oficiais do exército em Lyon, foram condenados pelo tribunal e fuzilados; Antoine Willermoz e Bruyzet foram guilhotinados. A obra maçônica de Willermoz sofreu a perseguição da Revolução, muitos Templos Retificados ou Cohens foram obrigados a fecharem as portas. O sistema maçônico Retificado dos CBCS passou para a Suíça, fugindo dos Revolucionários e depois de Napoleão, dando origem ao Sistema Retificado Moderno, mais tarde esse sistema voltou à França e recentemente à Alemanha.
Muitos fugiram para a Suíça, alguns para o campo, o grupo de Iniciados de Lyon ficou praticamente extinto, Willermoz foi à uma casa retirada onde se reuniam os Iniciados e em dois baús colocou os arquivos e os trouxe para a cidade, no dia seguinte aquela casa ficou reduzida a cinzas.
Na casa onde se alojava em Lyon, caiu uma bomba que atingiu um dos baús, desmanchando-o com todos os documentos, Willermoz fugiu levando o que restava dos documentos e colocou-os em mãos seguras; parte deles ficaram com seu sobrinho Jean Baptiste Willermoz Neveu.
Willermoz, como Périsse, seguiu as funções de caridade em hospitais e escapou da condenação, ação de seu irmão Pierre-Jaques Willermoz, médico, foi decisiva para salva-lo da Revolução.
Passada a tormenta revolucionária, graças aos rituais que havia salvo, Willermoz reorganizou a Maçonaria Espiritualista, até a morte procurou como objetivo, as práticas da virtude e da caridade e com que as Lojas e Capítulos fossem centros de seleção para os grupos de Iluminados.
A primeira parte de sua obra era clara, a segunda, oculta, Willermoz continuou sua obra sobre a terra, 19 anos após a partida de Saint Martin para o Mundo Invisível (1803), os dois Adeptos completavam-se, Willermoz destacou-se pelo seu dinamismo e pela capacidade de organização, usava a Maçonaria como centro de recrutamento para a Ordem Interior. Saint Martin, mais intelectual, procurava em todos os meios onde se encontrava, os Homens de Desejo para colocá-los em Sua Senda Interior. Willermoz escolheu a Maçonaria como base fundamental para preparar o Iniciado e colocá-lo em condições de marchar na Senda da Luz entre as duas colunas, até chegar ao Oriente, onde encontrará a coluna invisível que o ligará com a Divindade.
Para Willermoz, como para Saint Martin e demais Mestres do Ocultismo Ocidental, a Iniciação Real é um trabalho eminentemente pessoal, interior.
O Homem ao encarnar ficou com o espírito por desenvolver a partir de uma centelha espiritual. O receptáculo é a Alma Humana, a Pedra Bruta que deverá ser transformada e inserida na obra de construção do Templo Universal, a Jerusalém Celeste das almas regeneradas e imortalizadas pelo Verbo Divino.
Poucos anos, antes de sua morte, ele confiou os arquivos à seu sobrinho, seu Iniciado e posteriormente foram legados à Élie Steel e depois à Papus (1895).

Após sua morte subsistiram Lojas de seu sistema trabalhando com êxito em toda a França, Alemanha e Itália.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

MUNDO FANTÁSTICO DA MAÇONARIA


Ir. Alberto Gabriel Bianchi

O que viemos fazer aqui na Loja? Construir prédios, fazer filantropia? Fazer discursos, fazer trabalhos filosóficos? Não precisamos vir na Loja para fazer tudo isso. Aqui estamos para compartilharmos o conhecimento, selarmos os laços de amizade que nos unem como verdadeiros Irmãos. Congregamo-nos para dar e receber conhecimentos.

Estamos aqui para aprender, para entender o que é a Maçonaria e o que ela quer. E, para isso, ela exige que completemos um curso. E no que consiste este curso? Ouçam, Vejam e Escutem, EM SILÊNCIO, assim vocês verão e entenderão toda a beleza da verdadeira Maçonaria.

É um ano e meio ou dois, só, para ouvir e aprender o básico. Depois vocês estarão aptos a falar com conhecimento e sabedoria. Vocês se tornarão Mestres e os Mestres têm que falar para ensinar, todavia, saber o que falar.

 Aí alguém vai me perguntar: e os Mestres de hoje, por que não adotam este critério? Por que não seguem essas regras?

Porque eles não aprenderam de forma correta.    Não foram ensinados de forma adequada. Foi tudo na base do “achismo”, do eu acredito que..., do improviso, sem o devido domínio da matéria.

 A Maçonaria é ajudar os outros, afirmam alguns. O que não é verdade. 

A Maçonaria não é uma instituição preparada para construir prédios, para fazer filantropias, ficar aprovando projetos sem parar, como em muitas Lojas, etc. Para isso existem outras instituições, preparadas para essa finalidade. A Maçonaria existe para formar Construtores Sociais, transformar o homem material em homem moral, resumindo toda moral de aperfeiçoamento humano. Ministra seus ensinamentos por meio de Símbolos e Alegorias. Ensina o homem a desvencilhar-se dos defeitos e paixões e ser exemplo a toda sociedade de homens livres. Não é proibido que Irmãos ajudem as pessoas necessitadas, que Irmãos se unam para ajudar ou dirigir entidades que prestam solidariedade aos menos privilegiados. A Maçonaria, primeiro, tem que formar e preparar o homem.

 Vocês que acabaram de entrar para a Maçonaria, que serão o nosso futuro e que irão dirigir nossa entidade; vocês foram indicados e entraram pelo processo de Iniciação, através do qual lhe exigiram uma porção de compromissos e lhes fizeram uma porção de promessas, porque confiaram no seu Padrinho, confiaram no Venerável Mestre, confiaram na diretoria da Loja, enfim, confiam nos Maçons.

Essa confiança deve ser retribuída e, portanto, não tenham medo de errar, todavia, não errem nada fazendo.

Quem escolhe entrar para a Maçonaria está aceitando ter uma nova forma de vida. Estão aceitando novos compromissos, novos desafios. Não sendo por isso, não tem sentido entrar para uma Instituição dessa natureza que é cara financeiramente e nos toma muito tempo. É uma Instituição séria e muito exigente. Para aqueles que levam com responsabilidade o estudo e a prática, o sucesso em algum setor da vida será infalível.

Saímos do mundo profano,     como chamamos o mundo comum onde vivemos. Ora, se chamamos assim o mundo que vivemos é porque o mundo da Maçonaria é diferente e, se é diferente, devemos vivê-lo como tal, de forma diferente.

Passamos pelo misterioso processo da Iniciação e,simbolicamente, saímos do útero da mãe natureza, lá das profundezas da terra e recebemos a Verdadeira Luz, renascemos para um mundo novo.

Depois do renascimento simbólico, estaremos aprendendo a dar os primeiros passos no seio do novo mundo. Vamos aprender a falar balbuciando palavras estranhas e diferentes daquelas que estamos acostumados. Vamos nos alfabetizar aprendendo a ler, letra por letra. Aprender o som de cada uma e, depois, soletrá-las, formando palavras e depois frases. Paralelamente, vão nos ensinar que somos uma Pedra Bruta e temos que lapidá-la e, para tanto, devemos aprender a nobre arte de Construtores Sociais, entendendo que somos Pedra Bruta, somos, também, o Malho e o Cinzel, portanto, somos Obreiros e temos que trabalhar para nos polir. Vamos aprender a gramática, depois a lógica e, em seguida, a retórica, para que possamos nos comunicar neste mundo novo que estaremos a viver.

Depois de transformá-lo em Maçom, deverá ser aperfeiçoado, para que ele seja verdadeiramente um “Construtor Social”.

Maçonaria é simples, não há necessidade de complicá-la.

É preciso trabalhar, então, mãos à obra.

Para tal mister, existe um Ritual  para cada Grau, que simplifica e facilita tudo.

Fonte: omalhete.blogspot.com.br

domingo, 27 de março de 2016

ESTUDAR OS FUNDAMENTOS


 Frater Lucas Madsen

Essa pode ser a melhor resposta para toda estagnação. Se um conhecimento não está fazendo sentido, se uma técnica não está trazendo os resultados esperados, se uma ideia perdeu sua aplicabilidade... Não será isso uma grande falta de estudo dos fundamentos?

Na minha cabeça, o fundamento é que estabelece a base e que, ao mesmo tempo, justifica todo o sistema que embasa. Em um esporte, estudar os fundamentos significa entender os passos mais básicos que são permitidos pela regra, compreender os movimentos mais simples, entender a mecânica. Em uma disciplina, significaria entender os pressupostos teóricos, os objetivos, os mecanismos pelos quais se atua para atingir o conhecimento.

Muitas vezes, os fundamentos não são muito entusiasmantes para quem os estuda ou treina. Parecem coisa de iniciante, técnicas que nunca poderão ser utilizadas na realidade. Frequentemente, quando os estudamos, somos incapazes de perceber como o mestre faz para utilizá-los. No xadrez, aprendemos que é preciso primeiro assegurar controle sobre o meio do tabuleiro e abrir espaço para desenvolver todas as peças. Mas quando vemos um profissional jogando, ele pode escolher começar sua abertura pelos cantos, mantér peças presas até o meio do jogo.. E assim, parece cuspir em tudo que o iniciante está aprendendo.

Mas, talvez, a maestria consista justamente em ser capaz de compreender o fundamento o suficiente para ser capaz de aplicá-lo de maneiras não óbvias.

Como observadores, às vezes sentimos a ânsia de repetir os movimentos complexos dos mestres. O faixa branca quer ter a agilidade dos punhos de seu mestre, manejar as armas com sua desenvoltura... O jogador mediano quer executar os dribles mais bonitos, fazer jogadas criativas, aproveitar do razoável talento que desenvolveu.

Talvez o que diferencie o mediano do amador seja a capacidade de imitar alguns dos movimentos do mestre. Enquanto o amador pena para manter o equilíbrio em um paço simples, talvez o mediano seja aquele que foi capaz de dominar minimamente a base, a ponto de executar alguns movimentos mais difíceis. É aquele que entendeu a disciplina, e por isso é capaz de desvendar seus códigos e escrever algumas frases que os utilizam.

O que incomoda o mediano, no entanto, é que ele é incapaz de ir além desse ponto. Por mais que se esforce, não consegue superar o próprio limite a que parece ter chegado.

Se todo conhecimento é espiral, ou seja, se é um constante retorno circular que, no entanto, avança a cada volta, então a solução de saída para o mediano é estudar de novo a base. Quando estudou da primeira vez, terá entendido o simples. Quando avança para o mais complexo, consegue compreender para que aquela base serviu. Estudar a base de novo o fará ver tudo com novos olhos, olhos de quem sabe para que serve, como se aplica.

Por que falar disso em um blog sobre espiritualidade? Porque agora entendo que talvez a frase de um monge budista de vários anos atrás tenha finalmente entrado em mim. Dizia ele – de uma forma que talvez beire a arrogância ou a confiança absoluta em seu método de iluminação – que todas as religiões possuem em si o cerne da verdade, mas que o budismo é aquela que oferece o caminho mais rápido para o entendimento dela. Assim, enquanto tantas outras dam voltas até chegar ao centro, os budistas caminham em linha reta.

Não sou conhecedor da verdade e nem um iluminado, de tal forma que não posso fazer testemunho do que diz o monge. Mas o que sei dizer com certeza é que, muitas vezes, textos sobre espiritualidade nos empurram daqui para lá e de lá para cá, desenvolvem várias faculdades, nos ensinam coisas interessantes, mas falham em nos mostrar o fundamento. Resultado: ao final estaremos no ponto de início, fazendo as perguntas mais basilares: por que? Para que? Para quem?

Se arriscar mais um parágrafo, finalmente direi: não será essa a base da violência e intolerância religiosa inútil? A atenção excessiva aos detalhes? A compreensão equivocada de uma arte sublime, ainda não dominada por um leitor indisciplinado? Cada situação exige uma postura diferente de uma pessoa, mas o tolo tende a buscar regras gerais onde há apenas adaptação a uma situação específica. O segredo do mestre é a chave que abre a porta para a criatividade.

www.santuario1.blogspot.com.br/


quinta-feira, 2 de julho de 2015

APELLATIO FRATERNITATIS ROSAE CRUCIS


VERSÃO INTEGRAL
TRADUÇÃO COMPLETA DO TEXTO

Por FRC Mário Sales do blog Imagináiro do Mário.

"Nós deputados do principal colégio dos irmãos da Rosa-Cruz, constituímos residência visível e invisível nesta cidade, pela bondade do Altíssimo, para o qual estão voltados os corações dos justos. Mostramos e ensinamos a falar todas as espécies de línguas, para que possamos livrar os homens, nossos semelhantes, de erro mortal"

De um Cartaz colocado nas ruas de Paris no século XVII

Documento publicado em Janeiro de 2014, já mundialmente conhecido por todas as jurisdições da AMORC, e traduzido em todos os idiomas, menos no Português, o Manifesto abaixo tem grande eloquência e por isso, tomamos a liberdade de publicá-lo em nossa língua, de forma a que todos os leitores de língua portuguesa tenham acesso ao seu teor.
Aqui segue a tradução deste singelo manifesto, que acompanha a linha do Positio Fraternitatis de 2001.
Ao final, a fala da Grande Mestra da Grande Loja de Língua Inglesa, sóror Julie Scott, sobre este manifesto. Somente em Inglês.



MANIFESTO

Appellatio
Fraternitatis Rosae Crucis

1614-2014

Salutem Punctis Trianguli

Em 1614, os rosacruzes saíram de seu anonimato ao publicar o "Fama Fraternitatis". Quatro séculos mais tarde, nós, Deputados do Conselho Supremo da Antiga e Mística Ordem da Rosacruz, fazemos um chamado aos homens e mulheres de boa vontade, a fim de que se juntem conosco para trabalhar na reconciliação da humanidade consigo mesma, com a Natureza e com a Divindade. É por isso que colocamos este "Appellatio" sob os auspícios da espiritualidade, do humanismo e da ecologia.







1a EDIÇÃO JANEIRO DE 2014


Estimado Leitor

Em 1614, fazem pois quatrocentos anos, uma misteriosa fraternidade se deu a conhecer quase simultaneamente na Alemanha, França e Inglaterra, através da publicação de um manifesto intitulado "Fama Fraternitatis Rosae Crucis". Naquela época, este texto provocou numerosas reações, particularmente entre os pensadores, os filósofos e os líderes das religiões vigentes, especialmente os da Igreja Católica. De forma geral, este Manifesto convocava à uma Reforma Universal, tanto no âmbito religioso como no político, filosófico, cientifico, econômico, etc. Os próprios historiadores fazem referência ao fato de que a situação era muito caótica em vários países da Europa naquela época, a ponto de se falar abertamente em uma "Crise Europeia".

Recordemos que, ao Fama Fraternitatis se seguiram mais dois Manifestos:"Confessio Fraternitatis" e "As Bodas Alquímicas de Christian Rosenkreutz", publicados em 1615 e 1616, respectivamente. Os autores destes Manifestos se identificavam como membros da Fraternidade dos Rosacruzes e pertenciam a um círculo misterioso conhecido como "Círculo de Tübingen". Todos eram apaixonados pelo hermetismo, a alquimia e a Cabala. Alguns anos mais tarde, em 1623, esta Fraternidade se deu a conhecer mais ainda, através da colocação nas ruas de Paris, de um cartaz enigmático: "Nós deputados do principal colégio dos irmãos da Rosa-Cruz, constituímos residência visível e invisível nesta cidade, pela graça do Altíssimo, para o qual estão voltados os corações dos justos. Mostramos e ensinamos a falar todas as espécies de línguas, para que possamos livrar os homens, nossos semelhantes, de erro mortal"

Esta "Appellatio" não tem como meta expor aqui a história dos rosacruzes, nem tão pouco seus ensinamentos. Através deste Manifesto, desejamos antes de mais nada celebrar o aniversário de quatrocentos anos da publicação do "Fama Fraternitatis", Manifesto fundador da rosacruz no sentido histórico. Se dissemos "histórico", é por que , no sentido tradicional, esta Ordem tem suas origens nas escolas de mistério do Antigo Egito, durante a 18a dinastia. Michael Maier, célebre rosacruz do século XVII, declarou em uma de suas obras:"Nossas origens são egípcias, bramânicas, dos Mistérios de Elêusis e da Samotrácia, dos Magos da Pérsia, dos Pitagóricos e dos Árabes".

Fiéis a nossa tradição, publicamos em 2001 um Manifesto intitulado "Positio Fraternitatis Rosae Crucis", no qual damos nossa posição em relação ao estado em que se encontra a humanidade, em especial através de suas maiores áreas, quais sejam: economia, política, tecnologia, ciência, religião, moral, arte, etc., sem deixar de lado a situação do campo ecológico. Este Manifesto, que alguns historiadores colocam na mesma linha que os precedentes, tem sido lido por milhões de pessoas em todo mundo e para muitas tem sido um verdadeiro suporte para reflexões e meditações. Em certos países, sua leitura foi aconselhada aos estudantes; em outros, foi posto a disposição do público em bibliotecas municipais e nacionais; sem mencionar todos aqueles e aquelas que o leram pela internet.

Quatro séculos depois do "Fama", treze anos após o "Positio", nos pareceu necessário fazermos uma vez mais ecoar nossas preocupações com a humanidade. Com efeito, o tempo passa mas o futuro que se descortina década após década, ano após ano, seque sendo muito preocupante. A "crise", como se chama comumente, parece haver se instalado por muito tempo em uma grande quantidade de países. Mesmo assim não nos sentimos pessimistas em relação ao futuro e muito menos apocalípticos. Em "Profecias dos Rosacruzes", publicadas em dezembro de 2011, sobre este tema, pode-se ler o seguinte: "Somos otimistas em relação ao futuro...Mas além das aparências, o período difícil que atravessamos constitui um "passo obrigatório" que deverá permitir a humanidade transcender e renascer como aquilo que realmente é.

Do mesmo modo que o "Positio", o "Appellatio" não se dirige à uma elite, seja qual seja, mas sim a todos aqueles que tenham conhecimento de sua publicação e tenham tempo para lê-la. Alguns a considerarão alarmista e outros, um pouco utópica. Com segurança, não é dogmática nem ideológica. Através dela, queremos sinceramente expressar idéias que não são novas nem originais em si, particularmente para os Rosacruzes, mas que segunda nossa opinião, merecem mais do que nunca uma reflexão. De fato, desejamos lançar um chamado à espiritualidade, ao humanismo e a ecologia, condições obrigatórias, segundo nossa opinião, para que a humanidade se regenere em todos os aspectos e conheça a felicidade a qual aspira.

O Conselho Supremo da A.M.O.R.C.

CHAMADO A ESPIRITUALIDADE

Pensamos que a crise que atualmente castiga um grande numero de países, para não dizer todos, não é exclusivamente social, econômica e financeira. Trata-se em realidade, das conseqüências da crise da civilização, no sentido global do termo. Dito de outro modo, é  a própria humanidade que está em crise. Mas de que tipo de crise falamos? Embora tenhamos respondido em parte esta pergunta no “Positio”, nos parece necessário voltar atrás e dar mais detalhes de nosso pensamento.Tendo em conta nossa filosofia e nossos ideais, consideramos que se trata de um dever que diz respeito tanto aos rosacruzes quanto aos cidadãos, que todos somos. Em relação ao exposto, e contrariamente a todos os que foram capazes de nos censurar, a importância que damos a espiritualidade nunca negou o interesse que temos no plano  material, posto que a meta final de nossa busca é , desde sempre, poder conseguir o domínio da vida.
Em primeiro lugar cremos que a humanidade está numa crise de espiritualidade. Pensamos que este fato tem duas causas principais:sucede que as grandes religiões estabelecidas desde séculos já não dão uma resposta as perguntas essenciais que se fazem mulheres e homens de nossa época.Tanto sua doutrina quanto suas regras morais já não se adaptam a nossa maneira de viver, razão pela qual as pessoas as abandonam cada vez mais, mesmo com o custo de criar um enorme vazio espiritual que muitas pessoas nem sequer tratam de preencher. Paralelamente nos países chamados desenvolvidos a sociedade se tem tornado cada vez mais materialistas, no sentido de que estimula as pessoas a buscarem o bem estar através de posses materiais e de um consumismo imoral. Esta conduta causou um aumento considerável do poder do dinheiro e perverteu seu uso. De meio para adquirir coisas necessárias, se transformou num fim em si, algo que se quer possuir, quando na realidade não é absolutamente nada por si mesmo.
Isto significa que as religiões atuais não tem futuro?Antes de responder esta pergunta queremos observar que respeitamos a todas as religiões, por tudo de melhor que tem a oferecer aos seus fiéis, para que eles possam viver a sua fé, dia após dia. Mas, tal como dissemos anteriormente,as consciências e as mentalidades tem evoluído muito desde sua aparição de maneira que suas crenças parecem ter sido superadas aos olhos de um número cada vez maior de pessoas, especialmente entre os jovens. Como não puderam, não souberam ou não quiseram atualizar seus ensinamentos acreditamos que estão destinadas a desaparecer a médio prazo.Então, só restarão delas os monumentos que construíram para ampliá-las ao longo dos séculos, assim como os textos que as definem, incluindo os que consideram sagrados, como a Bíblia, o Corão, os Upanishads, o Triptaka, etc.
Voltando ao assunto do dinheiro, não se trata de cair na caricatura da demagogia. Sendo uma moeda de troca, consideramos que é uma necessidade para viver em sociedade. Todos precisamos dele para adquirir o necessário para nosso bem estar material e para satisfazer os prazeres legítimos que a existência pode nos oferecer. Entretanto, com o passar do tempo, ele adquiriu demasiada importância, ao ponto de condicionar e governar praticamente todos os setores da atividade humana. Atualmente, é objeto de um verdadeiro culto que substitui a religião e que reúne grande número de adeptos no mundo. Desgraçadamente, todos os dias sacrificam-se em seu altar os valores éticos mais elementares ( a honestidade, a integridade, a igualdade, a solidariedade, etc.) de tal maneira que representa, mais do que nunca, um vetor de degradação.
Não há porque concluir por causa do exposto acima que os Rosacruzes são partidários do "voto de pobreza" e que pensam que a riqueza material e a espiritualidade são incompatíveis entre si. Desde que o ser humano apareceu na Terra, sempre buscou melhorar suas condições de vida e ser feliz. Esta tendência é parte intrínseca de sua natureza profunda e é preciso incluí-la no processo que chamamos "evolução". Entretanto, isto não quer dizer que o propósito da existência seja tornar-se rico, mas não é natural nem normal aspirar a ser pobre.Por outro lado, o fato de estarmos desprovidos material e financeiramente não faz que sejamos melhores no aspecto humano e não é considerado um critério de elevação espiritual, como tão pouco o é o fato de ser rico.
Segundo os rosacruzes, a felicidade a que aspiram os seres humanos mais ou menos conscientemente, se acha no equilíbrio entre o material e o espiritual, e não na exclusão de um ou de outro. É esta a razão pela qual qualquer indivíduo que se dedica unicamente à espiritualidade, ao ponto de privar-se dos prazeres legítimos da vida, não pode ser feliz. E o mesmo sucede com aqueles que fazem de suas posses materiais o único fundamento de seu bem estar e de sua felicidade. Isso explica porque uma quantidade cada vez maior de pessoas que se consideram abastadas, se sentem profundamente infelizes. Se é assim é porque sofrem de um vazio interno que "todo ouro do mundo" não pode preencher. Daí vem o ditado "o dinheiro não compra(traz) felicidade", embora de certo modo seja capaz de contribuir para alcançá-la.
Se admitimos que o ser humano não é composto exclusivamente de um corpo material mantido vivo mediante um conjunto de processos fisioquímicos, mas também possui uma alma, podemos facilmente compreender que esta necessita também de certa forma de alimento: ou seja, a espiritualidade. Mas o que é espiritualidade? Com base no que já dissemos antes, a espiritualidade transcende a religiosidade. Dito de outro modo não se limita a crer em Deus e a seguir uma crença religiosa, por mais respeitável que ela seja. Em realidade, consiste na busca do sentido profundo da existência e em despertar gradualmente o melhor de nosso ser. Entretanto esta busca de sentido e aperfeiçoamento está cruelmente ausente na atualidade, daí se origina o estado caótico do mundo e o desanimo em que mergulhou nas últimas décadas.
A maior parte das pessoas, sem distinção de países ou de nações, experimenta a sensação de encontrar-se em um túnel obscuro cuja saída ninguém conhece, nem sequer aqueles que os dirigem e os governam. Por outro lado não tem consciência de que a luz que esperam ver brotar , somente poderá vir deles mesmos, e em nenhum caso de uma fonte externa. Isto nos traz de volta a espiritualidade e a necessidade de buscar as soluções para os problemas que pesam sobre os ombros da humanidade fora do mundo material. Mas talvez você seja daqueles que não crê na existência da alma, e obviamente está plenamente no seu direito. Em tal caso, se você quiser, deixe-nos fazer as seguintes perguntas, para serem respondidas no tempo de cada um:
- Ao que você atribui ao que comumente se chama "voz da consciência"?
- Como você explica a aptidão que tem o ser humano de demonstrar, entre outras virtudes, sentimentos como a benevolência, a generosidade, a compaixão e o amor?
- Realmente acredita que as mais formosas obras de arte, sejam pinturas, esculturas, musica ou qualquer outra, se originaram primeiro nas mentes daqueles ou daquelas que as criaram?
-Como se explica que milhões de homens e mulheres no mundo tenham experimentado a morte clínica, para logo voltar a vida com a lembrança do que "viram" e "ouviram" neste local que comumente as pessoas chamam de "o além"?
-Você realmente crê que, se a existência da alma fosse apenas uma quimera, os maiores pensadores e filósofos que a humanidade conheceu não a haveriam admitido como uma verdade óbvia?
Todos os seres humanos certamente possuem uma alma. Do nosso ponto de vista é ela que nos converte em um ser vivo e consciente, capaz de pensar e de sentir emoções. Do mesmo modo, é nela que se encontra o que de melhor existe na natureza humana. Se vivemos na Terra é precisamente para conscientizar as virtudes e expressá-las através de nossos juízos e nossa conduta. Desgraçadamente demasiado poucas pessoas se dedicam a isso, incluindo entre estes os crentes e temos aqui a explicação de porque a maledicência, a intolerância, o egoísmo, o ciúme, a prepotência e o ódio estão também presentes no mundo com todas as suas consequências, em termos de injustiças, conflitos, desigualdades e sofrimentos. Esclarecendo que o mal só existe pela ausência do bem e tem sua origem unicamente no comportamento humano. Não é pois, nem obra de Deus, nem obra do diabo, que nunca existiu, como tampouco os demônios que se supõe, executam suas ordens.
E aonde fica Deus agora? Durante séculos os crentes viram nÊle um ser antropomórfico que residia em algum lugar dos céus e que controlava o destino de todos os seres humanos. Zelosos em agradá-lo com o objetivo de conseguir seus favores, obedeceram e continuam obedecendo os preceitos apregoados pelas religiões cuja base se acha em seus Livros Sagrados. Mas é preciso admitir que crer em Deus e conformar-se com uma crença, que se diz que Ele inspirou, não basta para ser feliz. Caso contrário, seriam felizes os milhões de crentes através do mundo, com exceção dos ateus. E, claro, não é o caso. Isso significa que a felicidade a que aspira qualquer ser humano se encontra além da religiosidade. Acha-se, de fato, na espiritualidade, no sentido que atribuímos acima a este termo.
Antes de expormos a você nosso conceito de Deus, porque cremos que Ele exista, e porque o ateísmo, embora respeitável em si, é um erro de julgamento: sejamos crentes ou não, ninguém pode negar a existência do Universo. Então, do ponto de vista racional, o Universo é necessariamente o efeito de uma causa criadora. E posto que está regido por leis que os próprios cientistas admiram, segue-se que esta causa é muito inteligente. Partindo disso, porque não atribuir esta causa a Deus e ver nEle a inteligência absoluta e impessoal que deu origem a um centro de energia com a dimensão de um átomo, o qual continha potencialmente o conjunto inteiro das galáxias, das estrelas, dos planetas e de todos os astros que atualmente existem, incluindo nossa Terra.
A verdadeira pergunta que devemos fazer a respeito de Deus não é se Ele existe ou não, mas sim saber em que medida intervém na vida dos seres humanos. Em nosso ponto de vista, Ele o faz na medida que respeitamos as leis mediante as quais Ele se manifesta no Universo, na Natureza e mesmo no ser humano. Isto significa que devemos estudar estas leis, coisa que o rosacruz sempre tem feito. Vocês observaram que nossa maneira de estudar a Deus e o papel que desempenha em nossa existência é mais científica que religiosa. A A.M.O.R.C. jamais se opôs à ciência; pelo contrário. É por isso que a Universidade Rosacruz Internacional e a A.M.O.R.C. as tem patrocinado e apoiado, incluindo uma seção de ciências físicas.
Mais do que nunca, é tempo de passar da religiosidade à espiritualidade, quer dizer, chegou a hora de substituir definitivamente a simples crença em Deus pelo conhecimento das leis divinas que no fim das contas são as leis universais, naturais e espirituais. É precisamente nesse conhecimento e na sabedoria que provém dele, que se acha o bem estar que todos buscamos, incluindo o bem estar material. Um antigo ditado rosacruz reza que "o homem tem que se libertar da ignorância e unicamente da ignorância". Com efeito é na ignorância que se origina tudo de pior que o ser humano é capaz de fazer contra si, contra os demais e seu meio ambiente. Ela também é a fonte das múltiplas superstições que aviltam a humanidade e a impedem de alcançar seu pleno desenvolvimento. Então, é hora de dar à sua vida uma orientação espiritualista. Ou seja, não ser apenas um ser vivo; ser também uma alma vivente...
Talvez você esteja se perguntando sobre nossa opinião sobre o secularismo, o pensamento laico. Enquanto as religiões clássicas e modernas, orientais e ocidentais, estão fundamentadas e estruturadas de acordo com sistemas autocráticos, pensamos que o secularismo é uma absoluta necessidade, com o objetivo de preservar a sociedade contra qualquer tipo de desvio teocrático. Sendo assim esperamos que os tempos nos conduzam até a espiritualidade, assumindo-a como uma busca de conhecimento e sabedoria e que ela passe a fazer parte dos nossos hábitos, para assim dirigirmos uma vida cidadã. A partir de então, política e filosofia serão a mesma coisa, e serão inspiradas pelo "amor à sabedoria", de modo semelhante ao apogeu da civilização grega. Lembremos que este foi o berço da democracia e que a ele devemos entre outras coisas a noção de república. Lembremos ainda que a maioria dos filósofos que lhe deram vida eram espiritualistas.

CHAMADO AO HUMANISMO

Se não lhe apetece responder nosso chamado à espiritualidade, convidamos você a demonstrar seu humanismo em todos os dias de sua vida. Na "Declaração Rosacruz dos Deveres do Ser Humano", editada pela A.M.O.R.C. em 2005, diz o artigo 10: "Todo indivíduo tem o dever de considerar a humanidade inteira como sua família, e de comportar-se em qualquer circunstância e em qualquer lugar como um cidadão do mundo, tomando assim o humanismo como a base de seu comportamento e de sua filosofia". É evidente que se todos os seres humanos cumprissem este dever , uns com os outros, a palavra humanidade faria todo sentido, de maneira que seria na Terra a viva expressão da fraternidade, em sua aplicação mais nobre e mais universal. Desse modo, deduz-se que a paz reinaria entre todos os povos e todas as nações.
Mas que quer dizer "ser humanista"? Em primeiro lugar trata-se de considerar que todos os seres humanos são irmãos de sangue e que as diferenças que se notam entre eles são apenas aparentes. Sendo assim, não apoiamos o dogma de que toda a humanidade descenderia de um único casal original, chamados Adão e Eva, segundo o Antigo Testamento. Seja do ponto de vista ontológico, seja do ponto de vista científico, tal afirmação não tem fundamento. Com efeito, tal ascendência, por causa da consanguinidade, teria causado rapidamente uma grande degeneração física e mental. Acreditamos que os seres humanos emergiram do reino animal, que tem se submetido a um processo de evolução extremamente longo e lento da vida, tal como se manifestou desde sua aparição na Terra. Em qualquer caso, todos compartilhamos o mesmo genoma e o sangue que flui pelas nossas veias é o mesmo. Mais do que uma fraternidade, formamos a humanidade, em si mesma.
Como sabem, alguns antropólogos afirmam que existem tres, ou mesmo quatro raças: branca, amarela, negra e vermelha. Fazem alguns anos esta distinção foi abandonada pela maioria dos cientistas que preferem adotar a noção global de espécie humana. Ao fazer isso, por acaso esperam retirar dos racistas qualquer argumento do tipo fisiológico? Mesmo assim, não é necessário ser racista para admitir a existência de diferentes raças, já que não se pode negar por exemplo que um europeu, um asiático e um africano correspondem a tipos humanos que muito claramente se distinguem em sua morfologia. Racismo seria pensar e pregar que uma raça seja superior a outra, particularmente aquela a que pertencemos. Sem dúvida, está claro que o verdadeiro humanista considera que todos os seres humanos são as células de um mesmo corpo: o corpo da humanidade.
Um grande numero de pessoas tendem a preferir aqueles que pertencem a sua mesma "raça", a sua mesma nacionalidade, aqueles que compartilham as mesmas idéias políticas ou pertencem a mesma religião, já que isso os reconforta e lhes dá segurança. Sem dúvida não é uma razão para rechaçar os demais, ou pior ainda, odiá-los. Um humanista digno deste título, respeita todas as diferenças, com a condição, naturalmente, que não afetem nem a dignidade, nem a integridade de uns e de outros. Quer dizer, demonstra tolerância, e jamais se comporta como se fosse ou se sentisse superior. Isto é uma demonstração de inteligência, já que a intolerância em todas as suas formas é geralmente um atributo da  insensatez e (ou) do orgulho. Desgraçadamente esta deficiência, ou melhor dizendo, este defeito, é um dos mais comuns e dele partem muitos conflitos que opõem os homens entre si.
A propósito da tolerância, lembramos que um dos lemas da A.M.O.R.C é "a maior tolerância na mais total independência". E esta a razão pela qual a Ordem é formada por cristãos, judeus, muçulmanos, etc., mas também por pessoas que não tem uma religião determinada. Alguns inclusive são ateus, mas admiram o caráter de fraternidade de nossa Ordem. Por outro lado, a Ordem reúne desde sempre homens e mulheres de todas as categorias sociais, e que tem opiniões políticas diferentes, inclusive opostas. Se para além de suas diferenças, os rosacruzes são capazes de respeitar-se mutuamente e de sustentar relações harmoniosas, porque a humanidade não poderia fazer o mesmo?
Você seguramente conhece o mandamento de Jesus: "Amai-vos uns aos outros!" que esclareceu dizendo que não devemos fazer aos outros aquilo que não queremos que nos façam. Sejamos ateus ou crentes, e no último seja qual for a nossa religião, não se pode negar que este mandamento resume por si só o ideal de compromisso que cada um deveria ter em suas relações com os outros. E se não somos capazes de ver em Jesus um mestre espiritual, ou um messias, ou um redentor venerado no Cristianismo cada um e todos deveriam pelo menos reconhecer que ele foi um humanista excepcional e que revolucionou os costumes de sua época pregando a solidariedade e a paz, ao ponto de recomendar que amássemos nossos inimigos.
A sociedade atual se tornou demasiado individualista já que o "cada um por si" se tornou um costume cultural. Sob o efeito combinado do materialismo e da crise econômica e social que o mundo atravessa faz algum tempo, cada vez mais as pessoas tendem a se preocupar apenas com seu próprio bem estar e a ser indiferente ao que se passa com os demais. Este tipo de atitude afasta as pessoas umas das outras e contribui para desumanizar a sociedade. A isto agreguemos o fato de os meios de comunicação terem substituído o intercâmbio direto, de modo que não temos mais tempo para falar com os nossos familiares ou com nossos vizinhos, enquanto nos orgulhamos de termos um monte de amigos (virtuais) nesta ou naquela rede social. Que paradoxo! Precisamos reaprender a dialogar no contato físico com os outros, de coração a coração, ou melhor, de alma a alma.
Podemos ler no "Positio": "Percebemos que cada vez mais aumenta o abismo entre os países mais ricos e mais pobres. Pode-se observar o mesmo fenômeno em cada um dos países mais miseráveis e nos mais favorecidos". A situação não para de piorar já faz muito tempo. nenhum humanista pode resignar-se a aceitar esta situação, particularmente porque a pobreza e a miséria não são realmente uma fatalidade, mas sim o resultado de uma péssima gestão dos recursos naturais e dos produtos da economia local, regional, nacional e mundial. Isto significa que a pobreza e a miséria se deve essencialmente ao egoísmo dos homens e a sua total falta de solidariedade. Sem dúvida, estando consciente ou não, sua sobrevivência depende agora mais do que nunca de sua aptidão a compartilhar e cooperar, não somente entre cidadãos de um mesmo país, mas também entre países. Em termos místicos, diríamos que, sob os efeitos da globalização, seus respectivos karmas estão ligados de tal maneira que nenhuma nação poderá prosperar a longo prazo sem preocupar-se com aquelas outras que ainda estão necessitadas.
Agora que fizemos referência a globalização,acreditamos que ela é irreversível e, pois, é inútil opor-se a ela. Desde que o homem apareceu na face da Terra, não parou de estender seu campo de ação e relação, primeiro de um clã a outro, de uma cidade a outra, de um país a outro e, finalmente, de um continente a outro. Com o desenvolvimento dos meios de transporte e de comunicação, o mundo se tornou um só país. Trata-se de uma evolução com a qual deveríamos alegrar-nos, já que representa um vetor de mútua compreensão e de paz entre os povos. Sem dúvida este processo está apenas no início e enfrenta a diversidade de culturas, de mentalidades, de sistemas econômicos e políticos, de modo que ainda está na etapa de exacerbação das desigualdades. Esta é a razão pela qual pensamos que se deve acelerar o processo e dar-lhe uma orientação humanista, para lograrmos o bem estar de todos.
Abordemos agora um ponto totalmente diferente: o individualismo não é o único obstáculo que tem o humanismo, tal como o imaginam e supõem os rosacruzes; falemos também da importância que as máquinas tem adquirido na mecanização e na robotização da indústria. De fato, tais máquinas deveriam limitar-se a auxiliar os seres humanos nas tarefas mais difíceis, mas, ao contrário, elas os estão substituindo, por razões de rentabilidade e de ganância. Esta maquinização excessiva da sociedade tem contribuído não só para desumanizá-la, mas também para aumentar a enfermidade social que é o desemprego. Logo, se tornou urgente devolver o lugar ao ser humano em todos os setores aonde seja possível, rompendo com este dogma materialista que consiste em pensar e dizer que "tempo é dinheiro".
Ademais os seres humanos não são unicamente irmãs e irmãos de sangue, sem importar as "raças"; são também almas gêmeas que provém de uma mesma fonte espiritual, ou seja, a Alma Universal. A diferença intrínseca entre eles é seu nível de evolução interior, quer dizer, o grau que cada um alcançou na consciência de sua natureza divina. Acrescentamos que apoiamos a idéia de que cada indivíduo reencarna o número de vezes que seja necessário para alcançar esta consciência e o estado de sabedoria, tal como podemos manifestá-lo nesta Terra. Se admitimos este principio, ou melhor dizendo esta lei, compreenderemos que as diferenças que existem entre os indivíduos quanto à sua maturidade, sua profundidade de espírito, seu senso de responsabilidade e seu humanismo, se devem essencialmente ao fato de que alguns tiveram um número de reencarnações maior do que outros. Visto desse ângulo, nenhum ser humano pode ser superior a outro; simplesmente alguns são mais evoluídos espiritualmente que outros.
Mesmo que não creia em Deus, é preciso que um humanista tenha fé no ser humano e na sua capacidade de superar-se, transcender-se, para expressar o melhor de si mesmo. É certo que, quando se observa a historia da humanidade e sua atual situação, pode-se ter a impressão de que os seres humanos são profundamente individualistas e que se dedicam a prejudicar-se mutuamente, sob os efeitos de suas debilidades e de seus defeitos. Entretanto, para além destas aparências, sua consciência tem evoluído. Em todo o mundo, cada vez mais pessoas se rebelam contra as injustiças e as desigualdades, se manifestam contra as guerras e a favor da paz, denunciam as ditaduras e outros regimes totalitários, e exortam a todos a uma fraternidade mais forte, ajudam os que nada possuem, se envolvem na proteção e conservação da natureza, etc. Se assim sucede é porque todo ser humano, sob o impulso de sua alma, aspira, com disse Platão, ao Bem, ao Belo e a Verdade. Simplesmente deve tornar-se consciente e, consequentemente, agir.
No transcurso da história, os homens tem demonstrado que são capazes de realizar coisas extraordinárias quando recorrem ao mais nobre e engenhoso da natureza humana. Seja na área da arquitetura, da tecnologia, da literatura, das ciências ou das artes, ou também no que se refere as relações entre cidadãos de um mesmo país ou de nações distintas, soube demonstrar sua inteligência, sua criatividade, sua sensibilidade e provou que são capazes de solidariedade e fraternidade. Apenas constatar este fato é reconfortante já que nos confirma que o ser humano está inclinado a fazer o bem e a promover a felicidade de todos. É precisamente por esta razão que é necessário ser humanista e ter fé no ser humano.

CHAMADO A ECOLOGIA

Pensamos que não se pode ser humanista sem ser ecologista. Com efeito, como se pode querer a felicidade de todos os seres humanos sem preocupar-se com a conservação do planeta em que vivemos? Está claro que a maioria das pessoas sabe que está em perigo e que os humanos são, em grande parte, responsáveis por isto: com todos os tipos de contaminação, destruição de ecossistemas, desflorestamento excessivo, massacre de diversas espécies animais, etc. Quanto ao aquecimento global, a maioria dos cientistas está de acordo que se a atividade humana não o provocou pelo menos o tem acelerado bastante, principalmente os gases do efeito estufa. Por outro lado, entre os cientistas, vários relacionam este aquecimento com o aumento de tempestades e outros tipos de cataclismos, com tudo o que resulta em questão de perdas humanas  e destruições materiais. Seja como for, é evidente que se nada for feito a curto prazo no mundo inteiro, para deter os males que infligimos ao nosso planeta, o mesmo se tornará um local inviável para milhões de pessoas, talvez até para toda a Humanidade.
Nas civilizações antigas a Terra foi considerada a mãe de todos os seres vivos, e por isso lhe rendiam um culto, o culto da Mãe Terra. Atualmente, já não existem povos antigos como os aborígenes da Austrália, as tribos indígenas da Amazônia e os pigmeus da África para citar apenas os mais conhecidos, que conservem estas tradições. Quanto aos seres humanos modernos, passaram a olhar para ela como uma espécie de fonte que fornece diversas lucros, a ponto de explorá-la acima do razoável e em detrimento de sua saúde. Se utilizamos a palavra "saúde" ao falar de nosso próprio planeta é porque para nós trata-se de um ser vivo e inclusive, consciente. Basta que consideremos as forças vitais que ela exibe na natureza e a inteligência que expressa através de seus diferentes reinos, sem mencionar todas as coisas que constituem sua beleza. Isto é tão verdadeiro que mesmo um ateu iria endeusá-la e considerá-la uma obra prima da criação.      
Segundo os cientistas a Terra surgiu há 4500 bilhões de anos e o homem fazem mais ou menos 3 milhões de anos. Entretanto, em menos de um século, a afetamos tanto que seu futuro e o nosso estão em perigo a tal ponto que seu estado é tema de reuniões de cúpulas internacionais. Infelizmente essas cúpulas são apenas teóricas e dão lugar a decisões e consensos que não são suficientes para reverter a situação. Envolvidos em contribuir para o despertar das consciências em relação à Ecologia, a A.M.O.R.C. publicou em 2012 um "alegato por uma ecologia espiritual" que foi lido no senado brasileiro durante a cúpula da Terra, no Rio de Janeiro. Outros colóquios sobre o mesmo tema tem sido realizados em diferentes países, mas as decisões que tomaram são realmente irrisórias em relação a situação além de chocarem-se, sempre, com os interesses socioeconômicos de uns e outros.
Os países desenvolvidos entre os quais se encontram os mais ricos do mundo, tornaram-se assim principalmente privilegiando a economia em detrimento da ecologia. É evidente que se as nações em desenvolvimento seguem o mesmo modelo econômico que se baseia na superprodução e em consumismo desenfreado os problemas ambientais que vamos enfrentar vão aumentar-se e agravar-se em grandes proporções. Hoje, é infelizmente o caminho que seguem as nações emergentes, e não podemos culpá-las, se tomamos em conta o exemplo que lhes foi dado. No atual estado de coisas só nos resta esperar que, apesar de tudo, rompam com este modelo e o substituam por um sistema que associe economia e ecologia. Seria uma formosa e útil lição para toda a humanidade.
Os rosacruzes não se consideram sonhadores utópicos, preocupados unicamente com o aspecto espiritual da existência. Claro, somos místicos, no sentido etimológico da palavra, ou seja, no sentido de homens e mulheres que se interessam pelo estudo dos mistérios da vida, mas sabemos que é aqui em baixo que há de se instalar o paraíso, que as religiões situam em uma região mais alta. Para alcançá-lo, os seres humanos devem aprender a administrar com sabedoria os recursos naturais e os produtos que eles criam; daí nasce a necessidade de fazer que a economia, em todos os níveis e em todos os aspectos, beneficie com igualdade a todos os povos e a todos seus cidadãos, respeitando tanto a dignidade humana como a natureza.
Que poderia levar todos os seres humanos a desenvolver uma economia ecológica? O medo de ser vitima do aquecimento global e das catástrofes que se relacionam com ele? Aparentemente não, já que o comum dos mortais que isto só acontece com os outros. Enquanto ele não sofra na própria carne, não se preocupa, limitando-se geralmente a compadecer-se daqueles que são vítimas; é capaz até de participar de algumas ações de caridade mas logo retorna a sua vida cotidiana, esperando que tais desgraças não o atinjam. Será preciso então que muito mais pessoas se sintam afetadas para que se rendam às evidências? De toda forma, nossa Mãe Terra está muito enferma e possivelmente, em breve, torne-se inviável para um grande número de seres humanos.
Independentemente do número crescente de catástrofes naturais que se multiplicam em todo o mundo, há que se observar também que segundo alguns cientistas, a expectativa de vida, que não parava de aumentar durante as últimas décadas, na maioria dos países, começa a reverter-se. Paralelamente o número de cânceres apresenta um forte aumento. Por que? Em grande parte porque o ar que respiramos, a água que bebemos e os alimentos que absorvemos estão gravemente contaminados (nitratos, fosfatos, pesticidas, corantes, conservantes) e isso leva inevitavelmente, a desarranjos orgânicos, celulares e inclusive, genéticos. Se a isso agregamos o consumo de álcool, tabaco e outras drogas que mostram atualmente um crescimento exponencial, não nos pode assombrar o fato de que a saúde do ser humano esteja ameaçada a curto prazo.
Outro perigo, e não menor, ameaça a saúde de um grande numero de indivíduos: a enorme quantidade de ondas eletromagnéticas emitidas por computadores, celulares e outros aparelhos eletrônicos. Carecemos de estatísticas a respeito desta contaminação eletromagnética, mas não há dúvida de que é a causa de diversas enfermidades.


(NOTA do Tradutor: a afirmação acima é correta: "Carecemos de estatísticas a respeito desta contaminação eletromagnética". Portanto a afirmação seguinte (não há dúvida de que [esta contaminação eletromagnética] é causa de diversas enfermidades) não tem sustentação científica nenhuma, tratando-se apenas de uma opinião do autor do texto)

Não pretendemos por em discussão a utilidade destes aparelhos, mas devem ser fabricados de modo que quem os utilize não seja alvo de diversas patologias, e isto é responsabilidade de quem os fabrica e de quem os vende. Entretanto, é preciso também que se esclareça, que grande quantidade de consumidores não tem o devido cuidado no uso que fazem destes aparelhos e abusam deles em detrimento de seu bem estar. Como exemplo, tem se observado que o número de tumores cerebrais tem aumentado consideravelmente, desde o aparecimento do telefone celular, particularmente entre os jovens.

(NOTA do tradutor: Na verdade, não existe tal observação documentada e não existem trabalhos científicos que confirmem esta afirmação de que aumentaram os casos de tumores cerebrais, principalmente em jovens desde o advento dos telefones celulares. Trata-se de mera especulação)

Entretanto, uma contaminação mais metafísica afeta a humanidade: os pensamentos negativos que os seres humanos geram, sob o efeito do ódio, da maldade, do rancor, da intolerância, da ira e do ciúme, etc. Em primeiro lugar estes pensamentos atuam negativamente sobre as pessoas que os manifestam ou os emitem, mesmo que não estejam conscientes objetivamente disto. Com o tempo acabam por causar-lhes problemas físicos ou psicológicos que podem originar enfermidades graves. Em segundo lugar este s pensamentos negativos infestam o inconsciente coletivo e o impregnam de vibrações negativas, que por sua vez, alimentam situações de ódio, maldade, rancor, etc. Ao contrário, todo pensamento positivo beneficia não somente a pessoa que o criou, mas também a consciência coletiva da humanidade. Sabendo disso, os rosacruzes se dedicam fazem muitos séculos, ao que designam com o nome de "alquimia espiritual".

(Nota do tradutor: Não sei quem é o autor do parágrafo a seguir deste documento, mas o mesmo conta com minha inteira desaprovação. Como médico, e desse modo, homem ligado a ciência, me repugna ver em um documento oficial da mais nobre Ordem entre as Ordens esotéricas, defensora da liberdade científica, uma tamanha coleção de tolices, inverdades e disparates disfarçados de afirmações bondosas. Principalmente o trecho sobre vacinas causa repulsa ao dizer, sem nenhum pudor, que vacinas diminuem a imunidade de quem as usa, uma sandice descabida, ainda mais que o século XX, graças as vacinas iniciadas por Louis Pasteur, contemplaram um salto do número de pessoas vivas de 3 milhões para 7 bilhões de seres humanos, 70% graças as vacinas e 30% aos antibióticos, que começaram com a penicilina, vinda de um fungo, o Penicillium notatum. Dizer que vacinas são de alguma forma perigosas revela ignorância e um forte pendor obscurantista, inaceitável em ambiente rosacruciano. Mesmo revoltado, publico e deixo a cada um sua interpretação.)

Aonde existem doenças, existe medicina. Embora reconheçamos que, junto com a cirurgia, ela tem feito grandes progressos e tem contribuído de modo importante para aumentar a saúde ela não está livre de fraquezas e até desvios. Como na maioria das áreas de atividade humana (a medicina) está debaixo da influência do dinheiro a ponto de ficarmos tentados a pensar que a "doença é a base do comércio" dos grandes laboratórios médicos e farmacêuticos. Hoje em dia está estabelecido que uma grande quantidade de medicamentos são placebos e só tem os efeitos que alguns crêem que tenham. Quanto aqueles cujos benefícios terapêuticos estão demonstrados, muitos apresentam efeitos secundários desastrosos. Observa-se o mesmo quando se trata de vacinas; sabemos que algumas tem contribuído para destruir as defesas imunológicas naturais dos seres humanos. Uma vez mais insistimos no fato de que não somos contra a medicina e a cirurgia, mas dizer que uma ou outra só tem como única meta atender e curar seria pura hipocrisia.

(fim do referido parágrafo)

Seja na área da medicina ou em outras, os seres humanos devem permanecer o mais perto possível da natureza. Quando se afastam, rompem as leis naturais e vão contra seu próprio bem estar. Mas por ignorância, orgulho e cobiça, tem dedicado demasiado tempo a querer dominá-la, quando em realidade deveriam cooperar com ela. Cegos por seu orgulho, esqueceram que a inteligência que a Natureza demonstra é infinitamente maior que a da humanidade e que seu poder praticamente não tem limites, exceto aqueles que ela mesma se impõe. É bem provável que o homo sapiens, nome que os cientistas têm dado a nossa espécie e que literalmente significa "homens que sabem que sabem" estão, todavia, muito longe de saber o essencial: devem tudo que são a natureza e não são nada sem ela.
Para nós a Terra não é apenas o planeta aonde vivem os seres humanos. Também serve de ambiente para nossa evolução espiritual e dá a cada um a oportunidade de realizar-se como alma vivente. Isto significa que tem uma vocação tanto terrestre como celeste, exatamente os que os mais sábios entre os pensadores e os filósofos tem ensinado em todos os tempos e em todos os lugares. Até que a humanidade tome consciência desta verdade e aja de acordo com ela, o materialismo e o individualismo que prevalecem atualmente só irão aumentar, com todas as consequências negativas que vem disso, contra a própria humanidade e a natureza. Mais do que nunca precisamos restaurar a Tríade Humanidade-Natureza-Divindade que está na origem de todas as tradições esotéricas e que a civilização deveria adotar. Enquanto assim não fizer, permanecerá no estado de sofrimento atual e será incapaz de alcançar o esta de harmonia que é sal meta final.
Como sabemos todos, a Terra é também um ambiente onde vive uma multidão de animais, alguns em estado selvagem, e os demais em estado doméstico. Sem dúvida eles também possuem uma alma, individual para os mais evoluídos, coletiva para aqueles menos evoluídos. De fato todos os seres vivos tem em comum serem animados pela Alma Universal e pela Consciência que lhe é própria. Sendo assim, cada um, dependendo do lugar que ocupe na cadeia da vida e do corpo que possua manifesta esta alma e esta consciência em graus mais ou menos elevados. Por esta razão não tem o mesmo nível de inteligência e de sensibilidade. Assim, pois, não existe vazio ou fronteira entre os reinos da Natureza já que a mesma Força Vital os anima e participam do mesmo processo de Evolução Cósmica, tal qual ele se manifesta em nosso planeta. Claro, o reino humano é o mais avançado neste processo mas isto não lhe dá nenhum direito sobre os demais; ao contrário, só lhe dá obrigações...

CONCLUSÃO

Aqui estão algumas idéias que queria compartilhar com vocês mediante este "Appellatio". Com efeito cremos que é urgente darmos uma orientação espiritual, humanista e ecológica aos nossos comportamentos individuais e coletivos. Mas se tivéssemos que dar prioridade a alguma área, esta seria a ecologia. Assim, pois, se a Humanidade chegar a resolver seus problemas econômicos e sociais de maneira duradoura, e se, de forma paralela, a Terra já não puder abrigar a vida, porque a Vida, na Terra, se tornou muito difícil, para a grande maioria dos seus habitantes, que interesse e que prazer haveria em viver aqui na Terra? Neste aspecto, aqueles e aquelas que governam os países e as nações tem uma grande responsabilidade, no sentido de que tem o poder de tomar decisões e fazer que sejam aplicadas. Entretanto, se os povos não mostram interesse pela Ecologia, e não fazem nada, cada qual no seu nível, para a conservação da Natureza, é evidente que a situação piorará e as futuras gerações herdarão um planeta que não será mais do que a sombra do que era.
Em segundo lugar, embora isto possa lhe surpreender, é a humanidade e não a espiritualidade que deve ser privilegiada. Colocar o ser humano no coração da vida social, respeitando a Natureza, só pode ser um fator de felicidade e bem estar para todos sem distinção alguma. Para isto, temos que ver em cada pessoa uma extensão do mesmo UM, para além das diferenças e incluindo as divergências. Trata-se de um processo muito difícil, já que cada um tem seu Ego que tende a tornar-se individualista e o leva a preocupar-se antes de mais nada consigo mesmo, com seus entes queridos e as pessoas com as quais compartilha certas afinidades. Levada ao extremo, é esta atitude egotista, inclusive egoísta, que origina as discriminações, segregações, divisões, oposições, exclusões e outras formas de rejeição entre os indivíduos. No lado oposto, o humanismo é sinônimo de compartilhar, de tolerar, ser generoso, ter empatia, em uma palavra: fraternidade. Baseia-se na idéia de que todos os seres humanos são cidadãos do mundo.
A necessidade de ser ecologista é relativamente evidente quando observamos o estado do planeta. Da mesma maneira, todo indivíduo suficientemente sensível e inteligente, compreende porque ser humanista é algo bom, mesmo que ele mesmo não seja. Por outro lado, não existe uma razão objetiva para ser espiritualista, considerando que é impossível demonstrar a existência da alma e de Deus, mesmo com o sentido que os rosacruzes lhe dão. Assim pois, embora a espiritualidade nos pareça essencial para ser feliz e dar a vida sua dimensão completa, entendemos que se possa ser ateu. Isto esclarecido, para nós é evidente que o Universo, a Terra e a Humanidade não se originaram por um Acidente, mas estão inscritos em um Plano Transcendente, para não dizer divino. É exatamente por esta razão que temos a faculdade de estudar a Criação e fazermos perguntas a propósito do sentido profundo da existência. Neste sentido somos atores e espectadores da Evolução Cósmica, tal como se expressa no cosmos e em nosso planeta.
Talvez você seja um humanista e um ecologista mas não um espiritualista. A menos que seja totalmente materialista, isto significa que, embora não acredite em Deus, você tem fé na natureza e no homem, o que é respeitável e louvável. Isto nos permite mostrar a diferença entre um materialista e um ateu. De maneira geral, o primeiro converte suas posses materiais no seu ideal de vida, mesmo com prejuízo da natureza e sem preocupar-se com os outros. O outro, o ateu, é geralmente um crente que não se reconhece, ou alguém que perdeu sua fé no sentido religioso da palavra. Seja como for, pensamos que a espiritualidade (e não a religiosidade) é em si mesma um vetor para o humanismo e para a ecologia, já que, como explicamos anteriormente, baseia-se no conhecimento das leis divinas, no sentido de leis naturais, universais e espirituais. Qualquer um que busque o conhecimento, mesmo que ainda não o possua, é idealista por natureza.
Os antropólogos acreditam que a humanidade moderna apareceu na Terra ao redor de 200.000 anos atrás. Na escala de uma vida humana pode parecer antiga, velha, mas em comparação com os ciclos da evolução se acha apenas na adolescência, demonstrando todas as característica desta etapa da vida: está em busca de identidade, de um destino, demonstra irresponsabilidade e inclusive inconsciência, acredita-se imortal, dedica-se a todo tipo de excessos, desafia a razão e desconsidera o senso comum. Essa etapa evolutiva com toda a sua carga de dificuldades, sofrimentos e fracassos, mas também de satisfações, conquistas e esperanças é um passo necessário, que a permitirá crescer, amadurecer, florescer e finalmente realizar-se nos planos material e espiritual. Mas para isso, precisa transformar-se em um adulto.
Para concluir, em respeito a tudo que foi dito antes, desejamos mais do que nunca que a humanidade se dê a si mesma uma orientação espiritualista, humanista e ecologista para que renasça na sua própria essência e ceda lugar para uma "nova humanidade", regenerada em todos os aspectos. Os rosacruzes do século XVII já exigiam esta regeneração no "Fama Fraternitatis". Rejeitado pelos conservadores religiosos, políticos e econômicos da época, este chamado precursor só foi atendido pelos livres pensadores. Com respeito a situação atual do mundo pareceu-nos útil e necessário renovar abertamente este chamado esperando que desta vez encontre um eco favorável e um número de pessoas muito maior.

Que assim seja.
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