sexta-feira, 25 de abril de 2014

MISTICISMO NA MAÇONARIA



Ir .´. Fabiano Camargo Gonçalves

Meus IIr .´., escrever sobre o misticismo maçônico realmente não é uma tarefa fácil depois então de solicitar ajuda para alguns IIr.´. e pesquisar em alguns livros por indicações.
Misticamente sobre a maçonaria tem se muito a dizer. Podemos, em alguns casos, reunir alguns elementos como misticismo, esoterismo, alquimia, cabala, astrologia e numerologia, que de alguma forma se correlacionam com a maçonaria.
As influências místicas sobre a escalada iniciática da maçonaria, de maneira geral, vêem das antigas civilizações e dos agrupamentos medievais. Entre as antigas civilizações, encontra-se a da Grécia Arcaica, com os chamados Mistérios de Eleusis (representada com espigas de trigo nos braços) e o Pitagorismo.
A iniciação maçônica, como, geralmente, ocorre na maioria das ordens iniciáticas, desde a antiguidade, representa a morte física do iniciado e o seu renascimento em um plano superior. Assim no Grau de Companheiro Maçom, que o símbolo é uma espiga de trigo, que, além de representar fartura, conseqüência do trabalho, simboliza, também, a renovação sempre constante da vida (morte e ressurreição)
A Estrela de Cinco Pontas citada por mim em meu trabalho de Companheiro Maçom “Letra G”, ou Estrela Pentagonal, ou Pentagrama, ou Estrela Hominal é um dos diversos símbolos da magia e sempre surge nos ritos de varias correntes místicas, tanto as dedicadas à magia branca (Teurgia), quanto à magia negra (Goecia).
Para todos os ocultistas, todos os mistérios da magia e da alquimia mística, todos os símbolos da gnose e todas as chaves cabalísticas da profecia resumem-se no Pentagrama.
Quem deu, ao Pentagrama o nome de Estrela Flamejante, foi o teólogo, alquimista e medico Enrique Cornélio Agrippa de Neteshein, natural de Kholn (Colônia), onde nasceu no final do séc. XV, o qual era dedicado a magia, alquimia e a filosofia cabalística.
O significado da Letra G, que é inscrita no centro da estrela pentagonal tem sido para os maçons, objeto de ampla especulação e de teoria mística absolutamente arredada da realidade, descrito também no trabalho sobre a Letra G.
Assim deve entender, também, o Companheiro Maçom, sabendo, entretanto, que a alquimia mística pode ser aceite, também, como a transmutação espiritual põem que deve passar todo iniciado, mas não como a fantasia engendrada por alguns alquimistas místicos e considerada segredo para melhor poder negociada.
A Cabala, ou, mais propriamente Cabalá, significa tradição e é a essência do misticismo hebraico. Como doutrina mística e metafísica, e muito antiga, conforme encontra - se no Torá. O traço da filosofia transcendental, que evoluiria, através dos tempos, vem sofrendo, constantemente, influencias de outras culturas.
Os temas místicos do judaísmo e fonte do pensamento cabalístico são:
O Apocalipse, a visão de Merkabá, a Halaká, a Hagadá, e as Alegorias.
O Sepher ha Zoar (livro do esplendor) é o principal texto cabalístico, o Zoar é, na realidade, um romance místico - filosófico, desenrolado na Terra Santa, que é, vista como um belo e tranqüilo campo semeado de figueiras, vinhas e pés de romã, muito propicio para à meditação, ao recolhimento e a elevação espiritual., em suma o Zoar mostra o infinito incognoscível de Deus.
Embora a astrologia seja muito antiga, remontada á época dos sumerianos, (Sul da Mesopotâmia) a partir do V Milênio A.C., foi somente na idade media que ela cresceu de importância. O primeiro livro astrológico escrito por Claudius Ptolomeu (Séc II era atual), em Alexandria, houve depois da morte de Ptolomeu uma grande queda.
Nessa época obscura de grande queda surgiram os árabes conquistadores, motivados pela força de sua religião o Islã, habilidosos nos terrenos da medicina, da alquimia e da astronomia, desenvolveram extensos estudos astronômicos, que mostraram acentuada orientação astrológica Abu Maachar ou Abumansur, foi o maior astrólogo árabe.
Falar de astrologia e não falar de sua física universal seria uma falta muito grave. O zodíaco ou zodiacum ou as constelações celestes com seus determinados signos zodiacais ocupam um segmento de 30 graus do circulo completo, que tem 360 graus.
O zodíaco divide-se dessa maneira, em doze constelações, que são percorridas pelo sol uma vez por ano: Áries (ou Carneiro), Touro, Gêmeos, Câncer (ou Caranguejo), Leão, Virgem, Libra (ou Balança), Escorpião, Sagitário (ou Arqueiro), Capricórnio e Peixes.
Com a numerologia dos hebreus que consideravam certos números como sagrados e outros nefastos. Para os números fundamentais existem grandes cargas de atributos místicos.
Zero – é o símbolo da eternidade ou símbolo da morte, representado pelo circulo, simboliza o infinito, o universo, o todo.
Um - símbolo de Deus, número sagrado, inicio ativo, o pai dos números, simboliza o sol, que foi o primeiro dos deuses da humanidade.
Dois – número nefasto representa a dualidade, o ser e o não ser, representa também a dualidade positiva – negativa de tudo que existe.
Três – representado graficamente pelo triangulo, é o símbolo de síntese espiritual e a formula para a criação de cada ser humano, numero perfeito de grande significado místico um numero sagrado.
Quatro – representa o cubo ou quadrado perfeito, um numero cósmico, já que quatro são os elementos tradicionais – ar, água, terra e fogo.
Cinco – o numero do homem, cuja a representação mística e gráfica é a estrela de cinco pontas, a estrela hominal, já que se refere aos cinco aspectos do ser humano – físico, emocional, mental, anímico e consciente, a idéia central que o cerca é a do quinto elemento que seria a quintessência dos alquimistas.
Seis – o numero do equilíbrio, da união entre espírito e matéria, é representado misticamente por dois triângulos eqüiláteros – o positivo, do fogo e o negativo, da água, os quais formam a estrela de seis pontas ou a conhecida estrela de David.
Sete – e um numero sagrado para todos os povos da antiguidade, que lhe atribuíram grande valor astrológico, místico e mágico, pois sete são as notas musicais, sete as cores do arco íris e a expressão “sete vezes sete”, etc.
Oito – é o símbolo do logos, ou poder criativo universal, graças a sua forma, representa o perene movimento em espiral dos céus, e também simboliza o equilíbrio dinâmico entre as duas forças opostas (masculino e feminino)
Nove – encerra a serie numérica, antes do retorno da unidade, e o numero simbólico da humanidade, nove meses levam o homem a nascer, é o numero do adão.
No Grau de Companheiro há dois números que ligam especificadamente o grau.
Dois – é o numero místico do Grau de Companheiro Maçom, onde interessa a dualidade do ser e do não ser, a dualidade em posição ao monismo que se aplica a todo sistema filosófico.
Cinco – representa pela estrela hominal ou pentagonal dos pitagóricos, e simbolizando os cinco aspectos do ser humano, é numero ligado, fisicamente ao grau de companheiro maçom, cinco passos, cinco toques, cinco luzes, idade simbólica, embora que possamos notar uma certa influencia da numerologia pitagórica, a que prevalece é a hebraica.
Conclusão
O misticismo nada tem de "misterioso". Tudo, absolutamente tudo é natural. O sobrenatural existe? Nada pode estar sobre a natureza!
O que se posso abordar em meu trabalho são as antigas ciências ocultas, dando os significados esotéricos como nas iniciações e suas correlações com a natureza.
Sem dúvida é um tema abrangente e como tal com minhas palavras tentei responder em minha peça e arquitetura. Ninguém, absolutamente ninguém poderá me ajudar, pois coube a eu desenvolver e explicar o misticismo, ou seja, é um tema muito particular. A única via é a da pesquisa, coisa que, feita por mim tem um sentido e para outra pessoa tem outra explanação. 
Esta é a gnoses cárdia, o conhecimento verdadeiro, aquele que brota espontaneamente.
Não existe na maçonaria um misticismo como se abrange, por exemplo, na Rosa Cruz e no Ilusionismo.


terça-feira, 22 de abril de 2014

O NONO LANDMARK


Os Maçons só devem admitir nas suas lojas homens maiores de idade, de perfeita reputação, gente de honra, leais e discretos, dignos em todos os níveis de serem bons irmãos e aptos a reconhecer os limites do domínio do homem e o infinito poder do Eterno.

Este nono Landmark define, com precisão evidente, as características de quem está em condições de ser admitido maçon.
Tal só pode ocorrer relativamente a homens - o que exclui a admissão, na Maçonaria Regular, de mulheres e a existência de Lojas mistas; conferir, a este respeito, o comentário que elaborei a propósito do terceiro Landmark.
Esses homens têm de ser maiores de idade, isto é, adultos. A maioridade afere-se, desde logo, pela lei civil que vigora no país onde funciona a Loja. Mas o preceito, correctamente interpretado, exige mais: exige a maioridade de pensamento, isto é, a maturidade necessária para compreender o que implica ser maçon e a capacidade e vontade de palmilhar o caminho do aperfeiçoamento.

Têm ainda tais homens de ser de perfeita reputação. Não basta ser sério e honesto, impõe-se que seja tido e reputado como tal no seu ambiente social. O maçon, por o ser, deve impor-se à consideração geral. Dificilmente o consegue quem não tiver angariado por si e suas acções tal reputação. Não seria a aquisição da qualidade de maçon que melhoraria a sua reputação. Pelo contrário, seria a mácula na sua reputação que mancharia a Maçonaria.

Tem de ser gente de honra, ou seja, que dá valor à sua palavra e a cumpre, que sabe o valor, a importância e a responsabilidade da sua honra e age em conformidade.

Devem os maçons ser leais, condição essencial para integrarem uma Fraternidade em que todos em si vão confiar.

Devem ser discretos, porque o é a Maçonaria. Note-se: não secreta, mas discreta! No sentido em que preserva a intimidade e a identidade dos seus membros e da sua actividade. No sentido de que não alardeia nem publicita o que faz, a quem ajuda, o que contribui, seguindo o preceito de que, no vero homem de bem, nem sequer a mão esquerda tem de saber o que deu a mão direita.

Têm de ser dignos de serem bons irmãos, porque só assim podem integrar a Fraternidade Maçónica.

Têm de ter a capacidade de reconhecer os limites do homem, porque só assim podem reconhecer o seu papel no Universo e procurar aproximar-se o mais possível desses limites, sem a pretensão de serem mais do que são: humanos.

Finalmente, têm de ter a capacidade de reconhecer o infinito poder do Eterno, isto é, de serem crentes num Criador Todo Poderoso.

Quem acusa a Maçonaria de ser uma elite... tem razão! Poucos estão ainda em condições de ser admitidos maçons, efectivamente! Mas um dos objectivos do trabalho maçónico é a construção do Templo Colectivo, isto é, o aperfeiçoamento geral da sociedade, através da intervenção e do exemplo dos maçons. Esperamos que cada vez mais estejam em condições de vir a ser admitidos maçons!

Rui Bandeira
Fonte: Apartirpedra.blogspot.com.br

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

REFERÊNCIAS CRUZADAS




Pelo Frater Mário Sales

Foi lendo a Doutrina Secreta com Ir.: Flavio que me ficou mais claro a dualidade que marca a vida dos esoteristas.
Sim, dos esoteristas, não dos místicos, pois são categorias de seres humanos absolutamente diferentes.
Místicos são seres que buscam a dimensão divina através de experiências pessoais e incompartilháveis, solitárias, cujo única finalidade é a beatitude pessoal e a bem aventurança, o estado de Graça, enfim.
Já esoteristas são os intelectuais do misticismo. Muitas vezes, muito bons escritores, mas apenas isto. Não são necessariamente grandes místicos ( seres da prática) mas sim pensadores (seres da teoria).
Místicos não precisam de confirmação para suas constatações pois estas ocorrem no seu próprio organismo. Suas experiências, como o nome bem diz, são fenômenos dos quais participam diretamente, sobre os quais não lêem relatos, mas que fazem parte de seu cotidiano, em suas mentes e corpos.
Já o esoterista anseia por uma experiência desta natureza e muitas das vêzes submete-se a experimentos de seriedade discutível para chegar a usufruir de tais sensações chamadas incomuns. É notório o caso de John Dee, talvez uma das mais fortes influências teóricas para Sir Francis Bacon, chanceler inglês e Imperator da Ordem Rosacruz para o século XVI. Dee, homem sábio e pesquisador sincero do hermetismo, deixou-se seduzir por um charlatão chamado Edward Kelley, que além de ajudar a destruir sua carreira científica causou-lhe com seus engodos grande sofrimento pessoal e afetivo, destruindo o relacionamento de Dee com sua esposa.
Esta aparente falta de discernimento em homens de grande conhecimento esotérico apenas confirma o fato de que teóricos são apenas isto, enunciadores de conceitos e não mestres da prática mística.
Grandes místicos jamais escreveram coisa alguma. Foram seus discípulos que se preocuparam em redigir com um senso de urgência, algum texto que preservasse para as gerações vindouras os pensamentos destes homens.
Exatamente por isso, místicos não precisam de comprovação para suas afirmações e conceitos. Eles vivem estes conceitos, eles são aquilo que dizem e não existe conflito entre o que fazem e o que pregam. Já esoteristas tentam fortalecer seus argumentos e afirmações com outros argumentos e outras afirmações e , vez por outra, envolvem em suas argumentações grupos que nada ou quase nada tem a ver com sua linha de pensamento, leia-se aqui cientistas e vez por outra a própria prática científica.
É por isso que Blavatsky fala tanto da "inevitável" comprovação científica de suas afirmações, senão naquela época, em um futuro próximo. Ou Eliphas Levy, Stanislas de Guaita e Papus, que sendo médico, sempre ambicionou uma ponte entre ambas as linhas de pensamento, a mágica e a ciência positivista.
Tudo se resume aos dons. O Dom da Profecia, seja através ou não do sonho, da Leitura de Mentes, o Dom da Telecinese , da Projeção Espiritual, e o mais importante dos Dons, o Dom da Cura.
Alguns místicos, por estarem muito próximos de fundirem-se com o poder divino, arrastam para si gotas do Oceano de Luz e manifestam poderes extraordinários, mas seu objetivo primordial não é este. Dons ou Sidhis, como chamamos em hinduísmo, são efeitos colaterais do desenvolvimento espiritual, não devem ser o foco, o objetivo primordial. A maioria dos esoteristas, no entanto, são dominados pelo fascínio com os dons, que, a rigor, distraem o homem de algo mais importante, a busca do Divino.
Portanto esoteristas não são, necessariamente, místicos.
Misticismo, nas palavras de Sóror Diva Ogeda, toma-se na veia. Esoterismo, entretanto, pode ser um intenso exercício intelectual, externo ao espírito, e por isso flerta com as coisas da matéria,inclusive a ciência ortodoxa, o saber que trabalha não com a essência, o númeno, mas com as manifestações exteriores desta essência, o fenômeno.
Há apenas um lugar aonde o númeno se funde com o fenômeno: o próprio homem, o centro da criação, pelo menos no entender da própria vaidade humana.
Quando um saber recorre a outro pode ser por necessidade conceitual legítima, mas às vezes, é por mera admissão de falta de substância e fundamentação.
Essas referências cruzadas precisam deixar de ser apenas uma boia de salvação para pensadores pouco rigorosos e que não conseguem permanecer dentro de suas próprias áreas de interesse. Elas podem e devem ser diálogos entre campos, mantidas as definições que sustentam cada um, frequentemente desrespeitadas e gerando uma salada de explicações mal definidas que não colaboram com o esclarecimento daqueles que as lêem.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

O SIGILO MAÇÔNICO

Na longa história da Maçonaria, nada causa tanta controvérsia como o compromisso da Ordem com o sigilo. Este único fator tem gerado rumores tão fantasiosos a ponto de se tornarem mitos. Produzindo sátira, desconfiança e, por vezes, a exposição da Ordem ao ridículo. O sigilo leva a uma mística que tanto ajuda quanto prejudica a instituição, de uma forma tão subjetiva que só pode ser imaginada.
Infelizmente, esta mística não é inteiramente benigna. Enquanto os Irmãos desfrutam da fraternidade, o público é deixado para imaginar o que se passa por trás das portas fechadas do Templo. A imaginação é uma ferramenta poderosa, e por isso as características que tornam a Maçonaria atraente para os seus membros dão origem a uma grande variedade de imagens fantásticas para os não iniciados.
Algumas pessoas que vêem a Maçonaria do lado de fora acreditam tratar-se de uma organização sinistra. Nos Estados Unidos, por exemplo, ainda é comum pessoas acreditarem que a Loja é um lugar onde o sussurro de uma reunião noturna se transforma em políticas de governo no dia seguinte e onde os homens podem ganhar poder através do conhecimento da “palavra secreta”, e não através de eleições populares.
Esta visão não é difícil de entender. O simples fato de alguma coisa ser escondida aflora a curiosidade. E uma organização que preserva o seu sigilo certamente evoca imagens de conspiração e atividades proibidas.
A questão é que a falta de explicação só provoca o leigo, que é então, deixado para especular sobre o significado de nossas vestimentas peculiares, os emblemas que as decoram e nossos símbolos e alegorias. 
Mas quando examinamos o fenômeno, começamos a vislumbrar a real natureza do segredo maçônico: Como a Maçonaria percebe a sua relação com o público em geral é o cerne da questão.
A partir da iniciação somos levados a entender os significados dos símbolos e as tradições a que se referem, mas prestamos pouca atenção ao aspecto singular do simbolismo.
E rapidamente tornamo-nos confortáveis com a situação, tão rápido quanto perdemos de vista o fato de que o grande público vê tudo isso de uma forma diferente.
Os símbolos são um ponto focal para a crença de muitas pessoas de que a maçonaria detém informações ”clandestinas”, para as quais o resto do mundo não tem acesso.
Este tipo de percepção se manifesta de uma maneira tangível: Ao longo dos anos, a crítica à Maçonaria tem se tornado uma indústria. Existem diversos críticos dedicados a entregar sua mensagem anti maçônica. Eles aparecem em televisão, escrevem cartas a editores, artigos e livros, todos voltados para um público que muitas vezes parece fascinado pelos contos sensacionalistas que são o estoque do comércio anti maçônico. Mas o que pensamos de tudo isso? Como seria de se esperar, não passa despercebido.
Mas este tem sido um debate interno. Raramente divulgamos nossa preocupação. O leigo, ao não ouvir respostas, é induzido ao erro pelo silêncio e pela indiferença. 
No entanto, o debate é real e consciente.
Se por um lado podemos questionar a necessidade de manter o sigilo abrindo a Maçonaria à opinião pública, afinal o mercado já é farto de material de livre acesso, por outro lado é importante lembrar que o sigilo é parte integrante do ofício.
Os “segredos” da Maçonaria são elementos simbólicos intimamente envolvidos com os ensinamentos maçônicos. Mudar isso alteraria a natureza básica da Ordem.
Isto porque somos ensinados a valorizar as tradições representadas por um elaborado sistema de símbolos e alegorias.
A maior parte da mística, é claro, não tem nenhuma substância. Ela surge a partir de uma confusa falta de informação combinada com uma tentativa evidente de escondê-la.
As pessoas sabem pouco sobre a Maçonaria, simplesmente porque não sabem para onde olhar. Na realidade, a suspeita que paira sobre a Maçonaria deve-se mais à falta de publicidade do que uma conspiração anti maçônica deliberada. 
Parece, então, que um breve estudo sobre qualquer uma das várias histórias gerais da Ordem seria suficiente para dissipar a maior parte do mal entendido que tem se edificado em torno dela. Mas aí reside outro problema. 
Um ou dois bons livros sobre Maçonaria seriam suficientes para esclarecer uma série de mal entendidos, mas apenas se o leitor entender e acreditar no que está escrito. Como sabemos, a boa literatura maçônica não basta ser lida, deve ser interpretada.
Outro ponto importante é que uma rápida pesquisa de livros sobre maçonaria revela diferentes e contraditórias descrições da organização. Um livro descreve a Maçonaria como uma organização nobre que promove os mais elevados valores morais. Outro descreve-a como um sistema anti-cristão.
Obviamente nem tudo o que tem sido escrito sobre a Maçonaria pode ser verdade. Muitas obras devem ser imprecisas, mesmo as que tentam explicar as origens da Ordem, visto que podemos encontrar literaturas que defendem a evolução do ofício a partir das guildas de pedreiros medievais, outras imputam o crédito aos Templários ou aos Egípcios. Há até quem já tenha visto os primórdios da maçonaria no Jardim do Éden...
O fato é que qualquer um de nós, dos quais se espera conhecer ao menos parte da verdade, será sempre duramente pressionado para dizer qual é qual.
Durante séculos, as pessoas têm tentado descobrir as origens da Maçonaria. Talvez grande parte deste trabalho tem sido em vão por estarem procurando por uma organização antiga, que evoluiu para a fraternidade moderna. Mas a Maçonaria nunca foi uma única organização. Ela sempre foi tradição.
Uma das características de uma alegoria é a de que ela não fornece respostas. É, afinal, apenas um veículo de comunicação por símbolos. E os símbolos apenas apontam a atenção na direção certa. O resto é com o indivíduo.
E sob este prisma, o Maçom é livre para interpretar as lições da Loja como quiser. O ritual convida-o a fazê-lo uma vez que é repleto de lendas e, por vezes, situações que dão margem à interpretações diferentes.
Assim, ao usar o livre arbítrio, qualquer indivíduo maçom pode concluir que as lições são destinadas para separar ou unir, que por exemplo nossos sinais, toques e palavras são concebidos para receber um Irmão, ou simplesmente excluir um não iniciado.
E isto é tanto uma lição quanto um aviso. Nós, Maçons modernos, temos o espírito e a reputação da Ordem em nossas mãos. Assim, seremos os mocinhos ou os bandidos, dependendo da maneira como interpretamos o ritual e da nossa capacidade (ou falta dela) de argumentar sobre a Ordem com o público em geral. A escolha é nossa.
O fato é que tanto o nosso compromisso com o sigilo quanto os argumentos dos críticos são baseados em um ponto de vista comum. Esse ponto de vista liga o Maçom ao seu crítico em um vínculo que talvez seja até mais forte que a ligação maçônica de fraternidade. Ele promove a intolerância e a exclusividade. É o contraponto do espírito benevolente que a Maçonaria ensina desde os seus primórdios.
Infelizmente muitos dos que estão envolvidos com a maçonaria, sejam maçons ou seus críticos, não se informam além do básico. Satisfeitos com o que encontram na superfície deixam de perceber o significado subjacente a tudo. E assim, um sistema que foi cuidadosamente construído para unir as pessoas é muitas vezes usado para mantê-las separadas (o maçom do seu crítico).
Dizer a um homem alguma coisa, qualquer coisa, e então adverti-lo que é um segredo é a melhor maneira de separá-lo das pessoas ao seu redor. Isto obriga-o a escolher entre esconder seu conhecimento dos outros e trair aquele que o deu a ele.
Seguros que estamos na crença de que não fazemos nada de sinistro, não vemos razão para corrigir o que não consideramos errado, mas no final, é provavelmente muito melhor entender uma coisa e debater seus desdobramentos, do que ser mistificado por ela.
Ir.´.Rogério Alegrucci - M.´.M.´. 
Fonte: Grupo Brasil Maçôm

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

AS MULHERES NA MAÇONARIA

Por Kenyo Ismail
Como se sabe, a maçonaria tida como regular é restrita a homens, não aceitando, em hipótese alguma, mulheres em suas colunas. Mas desde o surgimento dos movimentos igualitários e do feminismo, muitos são os questionamentos e críticas sobre a Maçonaria por essa restrição, considerada por muitos como conservadora e machista. Não há aqui a intenção de imprimir opiniões favoráveis ou contrárias ao ingresso de mulheres na maçonaria. O objetivo é de compartilhar informações e colaborar com a reflexão sobre o tema.
Nas últimas décadas, as Obediências têm apresentado diferentes justificativas para tal restrição. Sem entrar no mérito de cada uma, é importante conhecê-las, seja para defendê-las ou para criticá-las:
 
CUNHO HISTÓRICO
A maçonaria atual originou-se da maçonaria operativa, ou seja, dos pedreiros de ofício. Esses pedreiros eram, evidentemente, homens. Daí, em respeito às tradições e costumes do chamado “Antigo Ofício”, as Obediências mantém tal regra.
CUNHO SOCIAL
A maçonaria especulativa consolidou-se na Inglaterra, de onde surgiu a primeira Grande Loja Maçônica. As Lojas daquela época se reuniam, principalmente, no fundo de tabernas, as quais eram restritas a homens. A presença duma mulher de bem numa taberna era inaceitável e, consequentemente, nas Lojas também. Com o tempo, as Lojas criaram seus próprios espaços, mas a tradição permaneceu e foi formalizada nas Constituições de Anderson.
CUNHO OCULTISTA
Existem Ordens Solares e Ordens Lunares. As Ordens Solares são voltadas aos homens, à razão, possuem juramentos e segredos, o Sol está presente no simbolismo, e são baseadas no compromisso. As Ordens Lunares são voltadas às mulheres, à emoção, possuem menos hierarquia, a Lua está presente no simbolismo, e são baseadas na devoção. A maçonaria é tipicamente uma Ordem Solar. Por isso, o ingresso de mulheres seria incoerente.
CUNHO SEXUAL
A maçonaria é uma fraternidade, e uma fraternidade com reuniões que exigem concentração. O ingresso de mulheres poderia desviar a atenção de alguns maçons durante as reuniões, o que prejudicaria no bom andamento das mesmas. Além disso, a partir do momento em que um homem e uma mulher maçons tivessem uma relação sexual, a fraternidade entre eles estaria prejudicada.
CUNHO LEGAL
As normas de muitas instituições possuem cláusulas “pétreas”, que são cláusulas imutáveis. Isso ocorre em alguns artigos da Constituição brasileira, por exemplo, em que mesmo se todos os Deputados e todos os Senadores aprovassem por unanimidade uma mudança, mesmo assim esses artigos não poderiam ser modificados. Na maçonaria também é assim, possuindo seus “Landmarks”, imutáveis, mesmo se for o desejo da maioria dos maçons.
CUNHO MORAL
O maçom, quando ainda candidato, durante sua iniciação, presta um juramento de seguir os Landmarks maçônicos, os quais incluem o ingresso apenas de homens. Ele poderia se recusar a prestar tal juramento, e assim não ingressar na maçonaria. Mas, ao prestar o juramento e tornar-se maçom, ele assume o compromisso de observá-lo, mesmo que não concorde plenamente com o mesmo.
CONCLUSÃO
Essas são as justificativas mais comuns apresentadas e defendidas pelas Obediências Regulares e autores maçons. Há maçons que acreditam em uma dessas justificativas; outros que acreditam em mais de uma; e há ainda os que não acreditam em nenhuma, mas observam moralmente o compromisso assumido.
Todas essas justificativas são bastante coerentes, ao mesmo tempo em que sempre cabe questionamentos às mesmas. Afinal de contas, numa instituição como a maçonaria, pesquisadora da verdade, nada é indiscutível. Porém, há duas questões distintas: a regra e o respeito à regra. Como maçons regulares, todos têm a liberdade de refletir, debater, questionar. Mas como maçons regulares, todos também têm o dever de, enquanto a lei existir, respeitá-la.
É interessante observarmos que instituições tradicionais e antes restritas a homens, como Rotary e Lions, abriram suas portas às mulheres. Para o Rotary, a decisão veio por força judicial em 1987. Já o Lions aprovou em sua Conferência Internacional a mudança estatutária no mesmo ano, permitindo o ingresso de mulheres.
No caso da Maçonaria, não existe uma autoridade internacional, pois cada Obediência é soberana em seu território. Até mesmo a Conferência Mundial das Grandes Lojas Regulares não possui autoridade sobre a legislação das Obediências participantes. O que se tem é um entendimento de muitas Obediências de que a Grande Loja Unida da Inglaterra, sendo a Obediência mais antiga do mundo, é a fiel guardiã das antigas tradições, e por isso muitas dessas Obediências seguem suas recomendações.
Sobre o tema da mulher na maçonaria, a Grande Loja Unida da Inglaterra se pronunciou em 1999 no sentido de que reconhece a existência da Maçonaria Feminina e de que essas instituições são “regulares na prática”, apesar de não serem “regulares na origem”. Assumiu também que, de tempos em tempos, tem realizado diálogos informais com as autoridades das Grandes Lojas Femininas da Inglaterra sobre assuntos de “interesse mútuo”. No mesmo comunicado, a Grande Loja Unida da Inglaterra se declarou contrária à Obediência Mista presente na Inglaterra, a Grande Loja Direitos Humanos, mas talvez não pelo fato de ser mista, e sim pelas práticas daquela Obediência.
Apesar da Grande Loja Unida da Inglaterra ter dado um sinal que pode ser positivo a longo prazo e que pode vir a influenciar as demais Obediências mundiais, a maior resistência não vem do “Velho Mundo”, e sim do novo: a maçonaria americana representa ¼ das Obediências Regulares e quase a metade de todos os maçons do mundo. E o conservadorismo americano, também presente na maçonaria, indica que o mais próximo de uma mulher adulta se reunir em um templo da maçonaria regular dos EUA é e será através da Ordem da Estrela do Oriente.
De qualquer forma, esse sempre será o grande paradoxo da maçonaria: acompanhar a evolução da sociedade, se modernizar, sem abrir mão das antigas tradições que tanto defende e preconiza. O que pode ser modernizado? O que deve ser mantido? Talvez esse seja o grande mistério da maçonaria de hoje.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

O MAÇOM MATA


Esta semana fui procurado por um funcionário (não posso dizer repórter, pois o mesmo não era imparcial) de uma entidade religiosa que gostaria de me fazer algumas perguntas para o jornal institucional. Sabendo que não somos bem vistos pelos membros desse segmento cristão, aceitei de pronto o encontro, afinal era uma oportunidade de desmistificar. Clima amistoso, perguntas básicas, até que começou o jogo de palavras visando descobrir “os segredos” e se realmente o demônio faz parte da Maçonaria. Tudo simples de responder, até que influenciados pela noticia do assassino norueguês, veio a pergunta final: - É verdade que o Maçom mata? Na hora o sangue subiu, pois estou incomodado pelas manifestações e difusão da noticia por verdadeiros Irmãos Maçons. Respirei fundo e respondi: - SIM, É VERDADE, O LEGÍTIMO MAÇOM MATA! Vocês precisavam ver o brilho nos olhos e o movimento de acomodação nas cadeiras dos interlocutores. Continuei: - O Maçom Alexander Fleming ao descobrir a penicilina matou e ainda mata milhões de bactérias, mas permite a vida continue para muitos seres humanos. O Maçom Charles Chaplin com a poderosa arma da interpretação e sem ser ouvido, matou tanta tristeza, fez e ainda faz nascer o sorriso da criança ao idoso. O Maçom Henri Dunant ao fundar a Cruz Vermelha matou muita dor e abandono nos campos de guerra. O Maçom Wolfgang Amadeus Mozart em suas mais de 600 obras louvou a vida. O Maçom Antonio Bento foi um grande abolicionista que junto com outros maçons, além da liberdade, permitiram a continuidade da vida a muitos escravos. O Padre Feijó, o Frade Carmelita Arruda Câmara e o Bispo Azeredo Coutinho embasados nas Sagradas Escrituras e como legítimos maçons desenvolveram o trabalho sério de evangelização e quem sabe assim mataram muitos demônios. O Maçom Baden Powell ao fundar o Escotismo pregava a morte da deslealdade, da irresponsabilidade e do desrespeito. O Maçom Billy Graham foi o maior pregador batista norte-americano e com seu trabalho matou muita aflição e desespero. Inclusive há no Brasil um movimento chamado MEB – Maçons Evangélicos do Brasil. Mas o Maçom não só mata, ele também é morto. Por conta dos valores de liberdade, igualdade e principalmente fraternidade, mais de 400 mil maçons, juntamente com judeus foram mortos nos campos de concentração. Também sofremos muita perseguição aqui no Brasil, quando imigrantes europeus que professavam religiões diferentes ao Catolicismo, não podiam construir seus templos e os maçons ajudaram. Querem um segredo? Muitos cultos protestantes ocorreram dentro de Lojas Maçônicas, afinal o Maçom combate a falta de liberdade religiosa. Este senhor Anders certamente torce por um time de futebol, tem preferência por uma marca de cerveja, tem a cor que mais gosta, ou tipo de música ou até mesmo um credo religioso, não há de se fazer vinculações. Esta situação foi causada por um indivíduo, clinicamente perverso que tem personalidade psicopática. A psicopatia é um distúrbio mental grave caracterizado por um desvio de caráter, ausência de sentimentos genuínos, frieza, insensibilidade aos sentimentos alheios, manipulação, egocentrismo, falta de remorso e culpa para atos cruéis e inflexibilidade com castigos e punições. O legítimo Maçom não é o homem que entrou para a Maçonaria, mas aquele que a Maçonaria entrou dentro dele. Houve e há Maçons em todos os seguimentos da sociedade e todos com o mesmo propósito; fazer nascer uma nova sociedade, mais justa e perfeita, lógico sem esquecer que o MAÇOM MATA, principalmente o preconceito. E vamos vivendo sempre recordando o ensinamento de Mateus 7:1-2 “Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgais, sereis julgados; e com a medida com que medis vos medirão a vós.” Depois do cafezinho, convidei estes Irmãos (afinal somos todos filhos de Deus) para que acompanhassem a Campanha de Fraternidade que a Loja Maçônica Presidente Roosevelt iria fazer no domingo seguinte.

Grato pela atenção
TFA,
Quirino
Sérgio Quirino Guimarães
ARLS Presidente Rooselvelt 025
Palácio Maçônico – Grande Loja BH/MG

quinta-feira, 13 de junho de 2013

RITO ESCOCÊS RETIFICADO


O Regime, assim denominado este sistema maçônico, nasce em França na segunda metade do sec. XVIII.

O Rito é ecumênico. Nos três primeiros graus, como é óbvio, admite nas suas Oficinas Irmãos visitantes de outros Ritos, sejam eles Cristãos, Judeus ou Muçulmanos. Nos graus IV, V e VI somente se admite como visitantes Irmãos da Ordem do Templo e Malta. Nos trabalhos está presente o Evangelho segundo São João (incluindo nas Lojas Escocesas de Santo André), aberto no primeiro Capítulo. O Rito é fundamentalmente Joanita. Está ligado à mensagem de Amor e Tolerância do Novo Testamento sem detrimento da Justiça vinculada pelo Antigo Testamento. Está ligado à "Tradição Templária" em termos de Herança Espiritual e próximo da "Gnose".

É provavelmente o Rito mais próximo da Maçonaria Operativa de origem Medieval, ou seja da Maçonaria anterior a 24 de Junho de 1717.

Em Loja Simbólica os obreiros, além de avental e luvas, usam todos, uma espada e um chapéu triangular embora só a partir do grau de Mestre se possam cobrir.
O Regime é resultante dos trabalhos de vários Maçons ilustres em que se deve destacar Jean Baptiste Willermoz,

Face a uma dispersiva disparidade de Ritos e Sistemas maçônicos existentes no século XVIII e à preponderância que a Ordem da Estrita Observância Templária alemã começava a ter no mundo maçônico, intrigado, fascinado e depois um pouco séptico pelo sistema maçônico dos "Eleitos Cohen" de Martinez de Pasqually, Willermoz parte para a criação de um Rito que reflete essas três tendências:

- A Maçonaria existente em França na sua vertente mais significativa (Escocismo)
- As doutrinas cabalístico/ocultistas do teosofismo martinezista do sistema de Martinez de Pasqually.
- O Sistema da Estrita Observância Templária (1754) do Karl Gotthelf von Hund von Altengrotkau, barão do Império alemã, senhor de Leipzig e de Colônia, sistema alemão em que a vertente cavalheiresca se sobrepunha à maçônica já que se reclamava de não só herdeira mas restauradora da Ordem do Templo extinta em 1312.

Willermoz, muito inteligentemente, retira as pretensões Templárias, no sentido de restauração político material e temporal da Ordem, e reclama-se de uma herança espiritual apenas. Acalma assim as Monarquias existentes e a Igreja de Roma.
Mantém o conteúdo esotérico do sistema de Pasqually mas avança para um ecumenismo não impregnado da teosofia martinezista onde por um lado introduz as teses de Martinez sobre a origem primeira do Homem, a sua condição atual e destino final no Universo, mas sem entrar em choque com a mensagem inicial da Tradição Cristã primitiva divulgada através dos primeiros Padres da Igreja.

Não divorcia da prática maçônica praticada em França ou seja do Escocismo e dos vários graus que sintetizados mais tarde irão em 1786/87 vir a constituir o Rito Francês.

Resultado dos vários Conventos que se sucedem a Ordem acaba por ser finalmente estabelecida em 1782, em Wilhelmsbad (Alemanha), como dos Cavaleiros Benfeitores da Cidade Santa (C.B.C.S.), Ordem Templária Retificada, embora Willermoz continue a trabalhar nos diversos rituais até 1809.

Nossa Ordem dos Cavaleiros Benfeitores da Cidade Santa (C.B.C.S.), Ordem Templária Retificada tem como meta:

a) O aperfeiçoamento do indivíduo pela prática das virtudes com o fim de aprender a vencer as paixões, corrigir os defeitos e progredir na via da realização espiritual;
b) A total dedicação à Pátria e ao serviço ao próximo;

c) A prática constante de uma beneficência ativa e esclarecida a todos os homens, sem importar qual seja a sua raça, nacionalidade, situação, religião e suas opiniões políticas ou filosóficas.

Assim o Regime propõe a realização espiritual como finalidade a cada um de seus membros, facilitando-lhe os meios para conseguir-lo, e em convertê-los em homens verdadeiros, templos de Deus.

Está composto por quatro graus que estão fundamentados na reconstrução interior do homem pelo aprofundamento da fé e da prática assídua das virtudes:

4º grau: Mestre Escocês de Santo André. Este grau faz referência à tradição divina do Templo de Salomão e a presença permanente da Santa Shekinah. Também se deduz que enquanto o primeiro Templo foi destruído, dentro das ruínas permanecia o sagrado conhecimento do Deus de Israel. Também indica a chegada da Nova Jerusalém, a mística Sión.

Ordem Interna, porta da entrada a Cavalaria:

5º grau Escudeiro Noviço. Se requer que sua doutrina tradicionalmente se transmita de forma oral, culminando nos Cavaleiros Templários, que se supõe foram os últimos custódios deste conhecimento divino.

6º grau Cavaleiro Benfeitor da Cidade Santa (C.B.C.S.). Explica-se que a Cavalaria da Cidade Santa se manifestou em bons trabalhos que são o caminho perfeito a Deus e pela difusão dos mesmos, assegurando a grande bondade à família humana e a última conquista do verdadeiro esclarecimento.
Os três primeiros graus, Lojas de São João, estão submetidos a autoridade e jurisdição da Potencia Simbólica Regular e reconhecida do Pais. No nosso caso, o Grande Oriente do Brasil.

Uma vez que o Mestre Escocês de Santo André dá mostras de ter alcançado o grau de realização espiritual, quando prova que efetivamente levou a cabo sua iniciação maçônica, é onde pode ter acesso à Ordem Interior.

A Ordem Interior é uma Ordem de cavalaria de nenhum modo assimilável, nem a um Sistema de altos graus, nem aos graus filosóficos. Comporta duas etapas:

Uma primeira etapa preparatória e transitória que é a de Escudeiro Noviço. A qualidade de Escudeiro Noviço se confere pela cerimônia de investidura. Esta qualidade é revogável. O Escudeiro Noviço tem como única tarefa preparar-se, durante o prazo de pelo menos um ano, para converter-se em Cavaleiro; mas se durante este período de tempo não mostra a preparação requerida, pode e inclusive deve, segundo o disposto no Código dos C.B.C.S., ser retrocedido a sua condição de Mestre Escocês de Santo André.
A segunda etapa é a de Cavaleiro Benfeitor da Cidade Santa (C.B.C.S.). Esta etapa não é um grau, senão uma qualidade que se confere na cerimônia de armamento. Esta cerimônia se celebra somente na presença do Grão Prior/Grão Mestre Nacional, pois somente ele pode armar cavaleiro no País.
O Cavaleiro tem o dever de obrar ativamente na Ordem e no mundo, para por em prática os ensinamentos morais, religiosos e doutrinais recebidos nas Lojas de São João e de Santo André. Lojas que não abandona e onde deve agora mais do que nunca, dedicar-se ao serviço de seus Irmãos e ao de todos os homens, particularmente, o exercício da beneficência.


Por sua filiação espiritual, o Regime reivindica, da mesma forma que a Ordem do Templo, a dupla qualidade cavalheiresca e religiosa. Esta dupla qualidade, que aparece já ao longo dos graus maçônicos e se confere plenamente pelo armamento, não é de se empregar somente no mundo dos séculos XII ou XVII, senão que é atemporal e os meios para se levar a cabo, cuja natureza é essencial, permanecem imutáveis, visto que consistem no colocar em prática cotidiana e universal as virtudes teológicas da fé, da esperança e da caridade.

Desde a sua constituição, o Regime tomou segundo as adaptações decididas no Convento de Wilhelmsbad (1782), a divisão administrativa que a Ordem da Estrita Observância Templaria reconstituiu e que era da antiga Ordem do Templo. Segundo esta divisão, o território francês estava repartido em três Províncias: a II Província - Auvernia, com a cidade de Lyon como sua sede; a IIIª Província - Occitania, com sede em Bordeaux; e a V Província - Borgonha, com sede em Estrasburgo.

Atualmente, temos mútuo reconhecimento com todos os Grandes Priorados Regulares do mundo e são:

1778 Grande Priorado Retificado de Helvécia

1934 Grande Priorado dos Estados Unidos de América

1937 Grande Priorado da Inglaterra e Gales

1986 Grande Priorado da Bélgica

1995 Grande Priorado da Lusitânia

1999 Grande Priorado de Togo

2002 Grande Priorado (Retificado) da França

2008 Grande Priorado do Brasil

2008 Grande Priorado da Espanha

2010 Grande Priorado da Itália
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